FreeStyle Libre, e a montanha russa dos sensores

Recentemente quebrei o recorde de substituição de sensores do Libre com problemas! Nas últimas duas semanas, foram 3 sensores para o lixo. Um deles simplesmente não funcionou depois de colocado, o outro soltou sem razão aparente, e o terceiro começou a apresentar divergências absurdas nas leituras, após o 5º dia de uso. Interessante que tudo isso aconteceu depois de ter ficado 14 dias com um sensor que funcionou extremamente bem, inclusive na precisão das leituras. Ou seja, foi como ir do céu para o inferno <g>.

A Abbott tem trocado os sensores sem custo adicional, mas essa “montanha russa” sempre deixa uma apreensão, gerando um estresse desnecessário. A troca também demora alguns dias para acontecer, portanto, sou obrigado a manter pelo menos um sensor “em estoque”, no caso de algum ter que ser substituído antes da hora.

Continuo achando que o FreeStyle Libre vale a pena! Não me imagino hoje vivendo sem ele, mas com certeza a tecnologia empregada tem que evoluir, para acabar com as grandes diferenças nas leituras e todos esses outros problemas. Imagino também que com um menor número de substituições, o preço do produto ficaria mais acessível (menos trocas = menos dinheiro perdido).

FreeStyle Libre – “A diferença é aceitável”, #SQN

E vamos para mais uma história que não contribui em nada para a imagem da Abbott no Brasil: Estou com um sensor do FreeStyle Libre no braço há 10 dias, que desde ontem começou a apresentar diferenças muito grandes em relação ao exame de “ponta do dedo”, conforme fotos abaixo.20161206_093754

Liguei para o 0800 da Abbott para relatar o ocorrido. Observe que em uma das fotos, enquanto o Libre mostrava uma glicemia de 68 (HIPOglicemia), o exame de ponta do dedo mostrava 140 (HIPERglicemia). Ou seja, enquanto segundo o Libre eu teria que ingerir carboidratos para subir minha glicose, o outro mostrava o inverso: que eu precisava tomar insulina para baixá-la.

A atendente da Abbott, após realizar os “testes de qualidade” baseado nos valores das medições que eu passei, disse que a diferença é considerada aceitável pelo laboratório! COMO ASSIM?! Como pode ser aceitável uma diferença de mais de 70mg/dl entre os medidores, um dizendo hipoglicemia e outro dizendo hiperglicemia?

20161206_015737Me recusei a aceitar que uma diferença dessas fosse normal, até mesmo por experiência com os sensores anteriores. Insisti com a atendente, sem sucesso, então pedi para falar com um superior, que apenas seguiu o protocolo dizendo as mesmas frases que a atendente anterior já havia dito: que os valores informados estavam dentro do aceitável e blábláblá. Deixei claro que era um absurdo dizer que uma diferença dessas era normal, e que eu teria que jogar fora o sensor e colocar um novo, 4 dias antes de expirar, ou seja, estou jogando fora 30% do que gastei com ele (o que dá aprox. R$ 70 de prejuízo).

Qualquer diabético com o mínimo de conhecimento, ou qualquer médico, acharia absurdo a afirmação de que tal diferença é aceitável. É óbvio que o sensor perdeu a precisão! Também é óbvio que a atitude da Abbott não colabora nem um pouco para a imagem dela no mercado, muito menos para a confiança no produto.20161206_030140

Em grupos sobre Diabetes no Facebook, é muito comum encontrar outras pessoas que passaram pela mesma situação. Algumas até mesmo já desistiram de usar o Libre, por não confiarem mais nos valores, mas principalmente pelo descaso do atendimento com o cliente.

Precisamos urgentemente de competição! Quem sabe assim a Abbott muda sua postura e passa a tratar o cliente com mais respeito. Esse já deve ser o quinto sensor que dá defeito… até então, a Abbott vinha trocando os sensores sem custo, o que é o mínimo esperado. Mas dessa vez, foram irredutíveis, e tive que arcar com o prejuízo. Se isso virar rotina, o jeito será abandonar o produto, pois dinheiro não é capim.

Vale lembrar que não é apenas a questão financeira e a confiança que está em questão. Como se isso não bastasse, temos que perder tempo ligando para o atendimento do laboratório, e as vezes ouvir esses absurdos. Ou seja, gera um stress que não deveríamos ter que passar, até porque stress também colabora para um descontrole da glicose.

Freestyle libre – problemas com sensores

Estou indo pro meu 12º sensor do FreeStyle Libre! Considerando que cada um dura 14 dias, já seriam cerca de 6 meses usando o Libre, no entanto, não foi bem assim!

Quatro sensores deram problemas, e tiveram que ser substituídos antes dos 14 dias. Felizmente, a Abbott tem trocado os sensores sem custo, no entanto, acabo tendo que manter sempre um sensor de “backup” para evitar ficar sem quando dá problema em algum, visto que o processo de “substituição” demora alguns dias.

No entanto, algumas coisas começam a me preocupar:

  1. Quatro sensores, entre onze, deram problema, ou seja, cerca de 35% – um número considerável! Os problemas variam entre medições (muito) incorretas até falha total do sensor (impossibilidade de fazer a leitura).
  2.  Um número tão alto com certeza não sai de graça, ou seja, o custo dessas substituições já deve estar incluso no preço de cada sensor, tornando eles mais caros do que poderiam custar.
  3. Hoje tive que insistir muito com a atendente da Abbott, para conseguir que trocassem o sensor, que estava apresentando medições muito mais baixas do que o “real”. Comparei a medição do sensor com dois medidores diferentes (Accucheck e OneTouch), e a diferença foi de mais de 60 mg/dl, para menos. Por exemplo, na foto abaixo, enquanto o Accucheck mostrava 106, o Libre indicava “LO” (que significa um valor menor que 40!). Durante a madrugada, ao tentar fazer a leitura, por três vezes o aparelho dava mensagem de que não tinha sido possível fazer a leitura, e que eu deveria aguardar mais 10 minutos e tentar novamente (demorou mais de 40 minutos para voltar a ler, e mesmo assim, os valores estavam errados). A atendente insistiu que essa diferença é considerada aceitável, o que é um absurdo! Minha própria experiencia com os sensores anteriores serve como base de que essa diferença estava anormal. Geralmente, há sim diferença, mas não tão grande. Uma diferença alta no valor das leituras pode fazer com que se faça uma correção errada, seja ingerindo açúcar desnecessariamente (gerando hiperglicemia), ou então tomando uma dose corretiva de insulina, e correndo o risco de ter uma hipoglicemia.

Enfim, talvez seja por isso que o FDA ainda não aprovou o Libre nos EUA. É necessário ter um bom conhecimento da doença para identificar as falhas quando elas ocorrerem, e evitar de fazer uma besteira. Fica claro, mais uma vez, que ainda dependemos dos testes tradicionais para “tirar a prova” em leituras “estranhas”.

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FreeStyle Libre – o sensor pifou

E havia chegado a hora de colocar o quinto sensor, ou seja, mais de 2 meses usando o FreeStyle Libre sem qualquer problema!

A surpresa veio no dia seguinte… menos de 48 após a instalação do novo sensor, e já tendo feito várias leituras que aparentemente não apresentaram qualquer problema, passei o leitor para obter a glicemia e me deparei com uma mensagem que até então nunca tinha visto:

Sensor ruim

Sensor ruim

Por sorte, havia comprado mais de um sensor, então pude instalar um outro. No entanto, foi grande a apreensão de ter perdido quase R$ 250 devido a falha do sensor. Como a Lei de Murphy está sempre presente, o fato aconteceu num sábado, e o call center da Abbott não funciona nos finais de semana.

Na segunda-feira, liguei no 0800 e comuniquei o acontecido. Pediram o número serial do sensor e após alguns minutos, comunicaram que dentro de 48h uma empresa parceira iria entrar em contato por telefone, para agendar a substituição do sensor por um novo (sem custo). Pediram para que eu guardasse o sensor ruim na embalagem original (que felizmente ainda não tinha ido pro lixo), pois quando viessem entregar o novo, iriam recolher o defeituoso.

Passado mais de 48h e ainda sem receber a tal ligação, enviei um email para a Abbott cobrando uma posição. No dia seguinte, recebi a ligação que agendou a troca do sensor para a próxima segunda-feira. No entanto, para minha surpresa, na sexta-feira anterior a data agendada, apareceu uma pessoa aqui para fazer a troca do sensor (aparentemente o agendamento não tem muito efeito prático).

Enfim, felizmente a Abbott trocou o sensor defeituoso por um novo, sem cobrar nada por isso (o que é o mínimo esperado, diga-se de passagem). O fato serviu para aprender algumas coisas:

  • Sem mais nem menos, você pode se deparar com uma situação onde o sensor para de funcionar antes da hora.
  • É sempre bom ter um sensor reserva disponível. Se eu não tivesse, teria ficado 6 dias sem o monitoramento contínuo.
  • A Abbott poderia ter um 0800 funcionando 7 dias por semana, pois problemas não tem data para acontecer.
  • O processo da troca do sensor apresentou alguma demora, e a data agendada não foi respeitada (menos mal que adiantaram, mas dei sorte de ter gente em casa na hora que a pessoa apareceu).

Uma curiosidade: Todos os sensores que eu comprei até agora tem data de validade para o dia 31-Outubro-2016, ou seja, estão bem próximos de expirar. Me pergunto se o problema apresentado pode estar relacionado com essa proximidade da data de expiração.

Duas semanas com o FreeStyle Libre

Hoje completou as duas primeiras semanas usando o FreeStyle Libre. Se você não viu meu primeiro post sobre ele, recomendo que leia agora, e depois retorne para ler o restante desse post.

As primeiras impressões relatadas no primeiro post se mostraram acertadas e consistentes. Em suma, a precisão do Libre não é uma maravilha. Sempre há uma diferença entre a leitura do Libre e a de um medidor de glicose tradicional (que também não é preciso). Mas, a impressão que tenho é que essa diferença é maior quando a glicose está baixa.

O Libre parece ser bastante “conservador” em se tratando de mostrar que você já saiu da zona de perigo de hipoglicemia. Isso pode ser conferido nas imagens abaixo.

 

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Demora para detectar uma saída de hipoglicemia

Demora para detectar uma saída de hipoglicemia

Outra impressão que tive é que com o passar do tempo, a diferença entre o Libre e demais medidores aumenta cada vez mais. Talvez essa seja uma das razões para o sensor expirar em 14 dias, obrigando você a instalar um novo. Aparentemente, na minha experiência, a diferença começou a ficar mais gritante a partir do 11º dia de uso, ou seja, faltando 3 dias para o sensor expirar:

Diferença entre aparelhos

Diferença entre aparelhos

Diferença na leitura (sensor perto de expirar)

Diferença na leitura (sensor perto de expirar)

Note que essa questão das diferenças nas leituras é esperada, e por isso mesmo, a própria Abbott recomenda conferir com um medidor tradicional quando algo não parecer estar correto.

Após expirado o sensor, o leitor do Libre não permite mais fazer leituras:

Ao tentar ler um sensor expirado

Ao tentar ler um sensor expirado

No entanto, ainda é possível (apesar de não recomendável) ler o sensor usando aplicativos disponíveis na loja de aplicativos do Google (mais sobre eles em um próximo post). Sendo assim, fiquei por algumas horas com os dois sensores no corpo (um em cada braço) – o expirado, e o novo. A diferença nas medições foi bem grande, o que reforça a impressão de que quanto mais próximo de expirar, menos preciso ele fica:

Sensor expirado

Sensor expirado

Sensor novo

Sensor novo

Sensor novo x medidor tradiciona

Sensor novo x medidor tradicional

Mas então, qual a vantagem de usar o Libre, se não é possível confiar 100% nas suas medições? Simples! Quase tão importante quanto a precisão, é você poder acompanhar a curva/evolução da glicose no decorrer do dia. Com a experiência, você consegue determinar as tendências e agir pró-ativamente na correção, seja para mais ou para menos. No meu caso, a quantidade de “picadas” no dedo, depois de usar o libre, caiu de (no mínimo) 5 vezes por dia, para 2 ou 3 vezes por semana. Nem preciso dizer que meus dedos agradeceram bastante 🙂

Há muito para melhorar, e com certeza a Abbott está trabalhando para evoluir o produto. Mas na forma que está hoje, já traz muitos benefícios, desde que você saiba interpretar as leituras, tendências, e tenha consciência de que ainda será necessário “tirar a prova” com um medidor tradicional de vez em quando. Talvez por isso também o aparelho ainda não tenha sido aprovado pela FDA. Nos EUA, existe um movimento pressionando os fabricantes de medidores de glicose para diminuir a margem de erro dos aparelhos.

Abaixo, a título de curiosidade, segue a foto do sensor expirado (já removido), e de como ficou a pele no local onde ele estava instalado (a pele voltou ao normal depois de alguns minutos).

Sensor expirado

Sensor expirado, dá pra ver o filamento que fica inserido na pele.

Logo após remoção do sensor (após 14 dias)

Região do braço, logo após remoção do sensor (após 14 dias)

Meu próximo post será sobre os aplicativos “paralelos” disponíveis na Google Play. Infelizmente, o aplicativo oficial da Abbott, chamado LibreLink, não está disponível para o Brasil. Espero que seja liberado logo, pois seria muito prático levar apenas o smartphone comigo, sem necessidade de levar também o leitor do Libre.

FreeStyle Libre – avaliação (dia 1)

Depois de quase dois anos de espera, finalmente a Abbott lançou no Brasil o FreeStyle Libre, um medidor de glicose que promete aliviar os dedos dos diabéticos, permitindo a leitura da glicemia sem picadas.

Libre e sensores

Libre e sensores

O Libre foi lançado na Europa há cerca de 2 anos. Tamanho foi o sucesso que, chegou a faltar sensores para vender! O aparelho está sendo vendido apenas em alguns países e, finalmente, chegou a vez do Brasil! Curiosamente, o Libre ainda não é vendido nos EUA, provavelmente devido a falta da aprovação do FDA.

Pelo menos nesse primeiro momento, no Brasil, o Libre só está sendo vendido via internet, e apenas para quem se cadastra no site www.freestylelibre.com.br. As vendas estão acontecendo “por ordem de cadastro”, através de uma parceria da Abbott com a Drogaria Onofre, ou seja, os primeiros que se cadastraram são os primeiros a poderem comprar. Como devo ter sido um dos primeiros, fiz a compra e três dias depois recebi o aparelho.

O preço do Kit Inicial, que é composto pelo aparelho que faz a leitura (leitor) e mais dois sensores, sai por R$ 599,70 + FRETE. Nesse Kit, o leitor sai com um desconto de R$ 120 em relação se comprasse tudo separadamente. Cada sensor custa R$ 239,90 e precisa ser trocado a cada 14 dias. Não é necessário dizer que o custo já é um fator impeditivo para muita gente 🙁

Clique para expandir as imagens.

Libre - conteúdo do pacote

Libre – conteúdo do pacote

Libre - Conteúdo da caixa com o leitor

Libre – Conteúdo da caixa com o leitor

Como funciona

Para medir sua glicose, você precisa basicamente de duas coisas: o leitor e um sensor ativo. O sensor fica literalmente grudado na parte de trás do braço. Ele é inserido de forma muito fácil e praticamente indolor, através do aplicador descartável, que acompanha cada sensor. O sensor é invasivo, ou seja, apesar dele ficar grudado na pele, um pequeno “filamento” é inserido pelo aplicador, de forma subcutânea. Calma! Não se desespere! O processo de aplicação do sensor é muito simples, rápido e feito por você mesmo. Mal dá pra sentir a “picada” durante a aplicação. Quem tem pavor de agulha também pode ficar tranquilo, pois ela fica escondida no aplicador, e é impossível vê-la no momento da aplicação. O aplicador é realmente bastante engenhoso 🙂 Apesar do aplicador usar uma agulha, a agulha não fica no seu corpo!

O sensor tem o tamanho de uma moeda de  1 R$, e possui um forte adesivo para evitar que se mova, afinal, ele precisa ficar “grudado” por 14 dias. Você pode tomar banho, fazer academia, e até mesmo nadar com o sensor (o manual diz que resiste até 1m de profundidade, por 30 minutos).

Tenho que admitir que depois de colocado, você até esquece que ele está lá. Não atrapalha em nada o dia-a-dia.

Libre - Conteúdo da caixa com o sensor

Libre – Conteúdo da caixa com o sensor e aplicador

Não vou entrar em detalhes sobre o processo de aplicação do sensor, porque é realmente muito simples e facilmente compreendido no folheto de instruções rápidas que acompanha o produto. Basicamente, você alinha o sensor e o aplicador, encaixa um no outro, pressiona de forma que o sensor seja anexado ao aplicador, e depois pressiona o aplicador na região do braço que você quer colocar o sensor. Sem mistério! Se está curioso, tem alguns vídeos no Youtube que mostram como colocar o sensor. O site do Libre também tem um vídeo tutorial.

Sensor do Libre inserido

Sensor do Libre inserido

Colocado o sensor no braço, basta ligar o aparelho (leitor). No primeiro momento que ele é ligado, você poderá selecionar algumas opções de configuração, e também atualizar a data e a hora (o meu já estava tudo certo). Terá também que definir uma faixa de glicose que você considera como seu objetivo (ex: de 80 a 140), usada basicamente na apresentação dos gráficos e para estatísticas. Depois, terá que “ativar” o sensor, bastando escolher a opção de ativação, e aproximar o aparelho perto do sensor. Todas as configurações podem ser alteradas depois.

A partir daí, você deve aguardar uma hora, enquanto o sensor “se autocalibra”. Essa é uma diferença do Libre com outros medidores contínuos de glicose: não é necessário calibrar o sensor medindo a glicose em outro aparelho! Os sensores do Libre vem pré-calibrados de fábrica.

Passada a primeira hora, você já pode começar a medir sua glicose. A medição é muito fácil: passe o leitor próximo ao sensor (por cima da roupa mesmo) e pronto! O sensor faz uma leitura do nível de glicose automaticamente, a cada 15 minutos, e armazena até 8h de leituras nele mesmo, ou seja, você pode ficar até 8h sem passar o leitor no sensor, e não perderá qualquer informação. Quando passar o leitor, ele irá descarregar as leituras armazenadas no sensor para o aparelho, e apresentar a glicemia atual, bem como a variação das últimas horas, dias, etc. através de gráficos. Tudo muito fácil de entender.

Precisão

Mais importante do que a facilidade do uso, é a precisão do aparelho! Afinal, é baseado nas medições de glicose que tomamos as decisões sobre o quanto de insulina precisamos tomar, até mesmo para fazer uma correção.

Antes de continuarmos, é importante você saber algumas coisas:

  1. Nenhum medidor de glicose de uso pessoal é 100% preciso. Muito pelo contrário, a maioria dos medidores de glicose possuem uma margem de erro que pode chegar a 20% comparado a uma medição em laboratório. Sim, é isso mesmo! Você pode ler mais sobre o assunto e ver alguns testes de precisão nesse outro post do meu blog. Não preciso dizer que uma medição errada pode fazer com que se aplique uma dose incorreta de insulina, podendo levar à uma hipoglicemia. Infelizmente, o diabético ainda tem que se basear na sua própria experiência para tentar ajustar possíveis erros.
  2. Diferente dos medidores de glicose “tradicionais”, onde a medição é feita furando-se o dedo e obtendo o sangue dos capilares, o Libre faz a medição da glicose a nível intersticial. Isso já seria suficiente para dar diferença entre os dois tipos de medições. O aparelho usa algoritmos de correção para compatibilizar as leituras. Podemos dizer que a glicose medida intersticialmente tem um atraso em relação a glicose capilar de aproximadamente 5 minutos. Por isso, quando a glicose estiver variando rapidamente, vai demorar mais tempo para o Libre perceber essa variação.

Eu já havia lido em sites internacionais, que a precisão do Libre não é muito boa nas primeiras 24h após a ativação do sensor, e tende a melhorar com o tempo. Vejamos então como o Libre se comportou no meu primeiro dia de uso. Ativei o sensor logo após ter almoçado (13h) e fiz a primeira leitura às 14h.

Libre - primeira medição

Libre – primeira medição

Para minha surpresa, a primeira medição se mostrou bastante próxima do medidor de glicose “tradicional” (lembre-se da margem de erro dos leitores!).

No entanto, as medições seguintes mostraram que  a glicose estava caindo, até chegar a um ponto onde o Libre indicou “LO” na tela. Isso acontece quando a glicose está abaixo de 40 (na medição do Libre, obviamente). O medidor tradicional acusava 56, ou seja, considerando a margem de erro, as leituras provavelmente ainda estavam compatíveis).

Libre - glicose baixa

Libre – glicose baixa (15h41)

Tomada as devidas providências para aumentar a glicose no sangue, também conhecida como “comer um pouco de açucar e/ou chocolate e/ou suco de laranja”, fui acompanhando com novas medições, e pude constatar que enquanto o medidor tradicional já apontava uma leitura fora de perigo (97), o Libre ainda mostrava “LO”. Ou seja, aparentemente, o Libre demora muito mais tempo para detectar a normalização da glicose. A medição abaixo foi feita uma hora após ter ingerido açúcar para corrigir a hipoglicemia.

Libre - ainda pensa que a glicose está baixa

Libre – ainda pensa que a glicose está baixa (16h53)

Com o passar do tempo, o Libre começou a “normalizar”, mas ainda mostrando uma diferença razoável em relação ao medidor tradicional:

Libre - medição de glicose

Libre – medição de glicose (18h05)

Horas depois, as leituras voltaram a ficar compatíveis.

Ou seja, pelo menos nesse primeiro dia, ficou claro que não será possível abolir completamente o medidor tradicional (e a Abbott deixa isso bem claro no seu manual). No caso de leituras muito baixas ou muito altas, teremos que recorrer ao medidor tradicional para “confirmar”.

Espero que passado o primeiro dia, o sensor já esteja mais “calibrado” de forma a minimizar essas diferenças. Vamos ver…

Conclusão do primeiro dia

Apesar da diferença nas leituras e do “atraso” na atualização das taxas, no caso da hipoglicemia, eu avalio esse primeiro dia como uma experiência bastante positiva. É muito bom medir a glicemia sempre que quiser, sem precisar ficar se espetando.

Também ajuda muito acompanhar a curva da glicêmica durante as horas, o que facilita também a entender como determinados alimentos, bebidas, exercícios, etc. agem no seu organismo.

Em alguns dias, farei um novo post, atualizando minha experiência com o Libre!

Fiquem de olho no blog.

Diabetes e eu

Sou diabético desde os 16 anos (estou com 43), ou seja, já vivo há mais tempo com diabetes do que sem ela. Depois de descobrir a doença e passada a fase da “lua de mel”, posterior “negação”, tratamentos alternativos, passei por trocentos endocrinologistas da minha cidade até chegar à conclusão que a melhor forma de me manter saudável era eu mesmo entender a doença pra saber como responder à ela. Li (e continuo lendo) muito sobre o assunto. O acompanhamento médico é importante, mas ele não vai estar 24h por dia ao seu lado, então mais importante ainda é saber como viver com a doença, como reagir as diferentes situações que ela vai lhe causar, como entender a glicemia, a insulina e como seu corpo responde à ela, a influência de atividade física, etc.

Dizer que um diabético pode ter uma vida normal é obviamente uma mentira. Mas podemos sim ter uma vida de qualidade, ainda mais nos tempos de hoje, com insulinas de ação ultra-rápida e as novidades tecnológicas para nos auxiliar.

O diabético vive uma batalha diária, com preocupações que pessoas normais não tem e, portanto, também não compreendem. Achar que sua taxa de glicose estará sempre normal é uma utopia. Ela vai variar constantemente, por “n” motivos que muitas vezes são óbvios, mas que muitas vezes só podem ser explicados pela “conjunção dos astros” ou talvez pelo Dr. House (pena que ele não existe de verdade).

Procuro manter a glicose dentro da faixa de 80 a 140, porque quero estar “inteiro” para aproveitar uma cura quando ela surgir. E acredite, estamos cada vez mais perto disso (mais sobre o assunto em um próximo post).

Manter a glicemia próxima da normal significa que as chances de ter hipoglicemia aumentam proporcionalmente, portanto, é essencial o monitoramento da glicose. Uma unidade a mais de insulina que se tome além do “necessário”, pode fazer a diferença entre uma glicose normal (80) e uma hipoglicemia (40). O X da questão é justamente saber a dose necessária, e aí só com a ajuda da experiência mesmo.

Leia meu segundo post: Duas semanas com o FreeStyle Libre.