Motocada para Prudentópolis
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Depois de alguns anos sem fazer uma viagem longa de moto, quando a previsão do tempo mostrou uma semana sem chuva, decidimos em cima da hora ir pra Prudentópolis-PR, terra das cachoeiras gigantes, e agora também conhecida como a cidade do “vô Stanislau” 🙂
O percurso sem paradas, saindo de Piracicaba e Paulínia até Prudentópolis, dá cerca de 600km. Obviamente fazer esse percurso sem aproveitar o que tem de bom pelo caminho seria um sacrilégio, sendo assim, pedi ao Gemini pra traçar um roteiro de 4 dias e o resultado foi bem satisfatório 🙂
Dia 1
Saí Piracicaba e o Bramac de Paulínia por volta das 6am para nos encontrar em Tatuí. De lá, seguimos até o Canion Jaguaricatu, em Sengés. Para chegar nele tem que rodar cerca de 20km na terra. Sem chuva, a estrada de terra batida foi bem de boa, apenas com alguns poucos pontos de areia mais fofa. O cânion não tem qualquer infraestrutura de apoio, ou seja, você chega num “mirante” natural de pedras onde consegue enxergar uma boa parte do abismo, mas é só isso! Detalhe: o cânion – pelo menos na região daquele mirante – é coberto por vegetação, então não espere ver “paredões de pedra”. O trajeto de 20km rende algumas paisagens bonitas, incluindo uma cachoeira e uma represa.
Já passava do meio dia quando voltamos para o asfalto, parando para almoçar no posto da Padroeira. De lá, seguimos até Tibagi, mais especificamente para o Parque do Guartelá. Infelizmente, chegamos às 16h15, o que nos impediu de fazer a trilha mais longa para ver as pinturas rupestres (o limite de horário para essa trilha é 14h30), mas deu tempo de fazer a trilha até o mirante do Cânion do Guartelá (6º maior cânion do planeta) e também conhecer os “panelões”.
O parque não cobra entrada e oferece uma estrutura adequada. Um carro te leva até metade do caminho é de lá você segue a pé por algumas centenas de metros passando pelos panelões até chegar no mirante do cânion. Se fosse mais cedo, com certeza teríamos entrado na água! A profundidade das “panelas” é de ~80cm e tem até escada em uma delas pra facilitar a vida dos aventureiros. A água cai na “panela” e corre por baixo da pedra, brotando novamente alguns metros à frente, para formar uma cachoeira.
Do parque seguimos para a cidade de Tibagi (20km). Tibagi é uma cidade pequena mas bem cuidada. Passamos a noite no hotel Itagy.
Dicas:
- Leve repelente! Bramac descobriu na prática que é alérgico à picada de muriçoca, e lá elas são marombadas 🙂
- Leve sempre garrafas d’água.
- A estrada entre Castro e Tibagi é muito bonita e com várias curvas. Vale a pena ir por ela!
Dia 2
Tomamos café da manhã e seguimos para o próximo destino: Parque Buraco do Padre, em Ponta Grossa. A maior parte do trajeto é feito em boas rodovias, mas de Ponta Grossa até o buraco é por vicinal sem terceira pista e com muitos caminhões, o que compromete o rendimento da viagem. Os últimos 9km são de terra, com alguns pontos de areia fofa que renderam algumas escorregadas (com emoção, mas sem tombos).
A entrada no parque é paga e você pode economizar um pouco comprando os ingressos antecipadamente pela internet. Alias, tudo ali é pago: a entrada, estacionamento, locker, almoço, tirolesa, fenda da freira, etc. mas pelo menos a estrutura é boa. Não deixe de comprar o ingresso para ir na Fenda da Freira. A visita ao Buraco do Padre propriamente dito está inclusa no ingresso de entrada do parque. Imagine um buraco enorme no chão por onde cai uma cachoeira para dentro de uma caverna. Você pode visitar tanto a parte de cima como a de baixo/caverna! Imperdível!
Dica:
- Tente visitar a Fenda da Freira no horário de 11h (tem visitas a cada hora, mas são vagas limitadas), pois é quando o sol está a pino e dá pra ver a luz entrando pela fenda, causando um efeito muito bonito.
- Tem restaurante no local, mas o preço é meio salgado e sem muitas opções.
Saímos do parque em direção a Prudentópolis. O dia seguinte foi o dia de conhecer as cachoeiras gigantes da região.
Dia 3
Prudentópolis (com cerca de 80% da população composta por ucranianos e seus descendentes) tem cachoeiras a dar com pau! Como só ficaríamos um dia ali, escolhemos as duas maiores e imperdíveis: Salto São Francisco e Salto São João.
O Salto São Francisco fica a 56km da cidade (por terra) ou a 111km (pelo asfalto, via Guarapuava). Fomos aconselhados a ir pelo asfalto, pois a estrada de terra estava cheia de obras e desvios. Aparentemente ela será asfaltada em breve, o que vai agilizar bastante o acesso.
Saímos logo pela manhã. O percurso pelo asfalto leva cerca de 2h e a estrada entre Guarapuava e o Salto São Francisco é muito bonita, com muitas curvas! O parque tem entrada grátis e infraestrutura básica, e fica na divisa de 3 municípios: Guarapuava, Turvo e Prudentópolis.
Dica:
- Se quiser descer até a base da cachoeira, terá que contratar um guia antecipadamente (não há guias no parque). Pega-se uma trilha de 5km pra descer e 5km pra subir, o que tomará cerca de de 5h do seu dia. Devido à nossa limitação de tempo, ficamos só no topo da cachoeira, o que já vale a viagem! São quase 200m de queda, espetacular!
- Recomendo o hotel Prudentópolis Palace Hotel.
Partirmos então para a segunda cachoeira do dia: Salto de São João. Felizmente, a estrada que dá acesso à ela tinha abacado de ser asfaltada. O único “problema” é que você acaba tendo que voltar até Prudentópolis para seguir para a São João, ou seja, coloque mais umas 2h20 de estrada!
O Salto São João é menor do que o São Francisco, mas tão bonito quanto! O parque tem entrada gratuita e uma infraestrutura boa. Você caminha por uns 15 minutos por uma trilha fácil dentro de uma mata fechada, margeando o abismo até chegar no topo da cachoeira. A visão é sensacional!
Dia 4
O último dia da viagem era basicamente estrada o dia todo. Pedi para a IA achar algum lugar legal pra conhecer, mas que fosse “na beira da pista”. Ela sugeriu o Parque Ecológico da Barreira, em Itararé, na divisa de Paraná com São Paulo. Foi uma grata surpresa!
A infraestrutura é básica, entrada gratuita, e você vai encontrar uma gruta por onde corre um riacho, um pontilhão de estrada de ferro bem antigo e já desativado, além de algumas outras atrações que são acessadas por trilhas.
Com certeza valeu a pena a parada!
Conclusão
Foram cerca de 1.600km e 23h em cima da moto, mas valeu cada minuto!
Como fomos no meio da semana, os lugares estavam praticamente desertos, zero muvuca! Se puder, fique mais tempo em Prudentópolis para conhecer as outras cachoeiras que tem por lá.
Destaque para a simpatia de todos os paranaenses que encontramos pelo caminho, desde os funcionários de hoteis, postos de gasolina, até o pessoal que trabalha nos parques.
Aliás, o governo poderia investir mais na infraestrutura dos parques! Tanto o Salto São Francisco como o São João poderiam ter elevadores panorâmicos para ir até a base da cachoeiras, além de pontes pênsil para cruzar a pé de um lado para o outro do cânion, passando na frente da cachoeira.































