Uma revista digital na era do MS-DOS

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Hoje, se você quiser criar uma revista digital com imagens, animações, músicas de fundo e hyperlinks, basta abrir um editor HTML e começar a trabalhar.

Mas e se você precisasse fazer tudo isso em 1997, usando MS-DOS, com alguns megabytes de RAM, sem navegador, sem CSS, sem JavaScript e tendo que controlar praticamente tudo por conta própria?

Pois foi exatamente essa a encrenca em que me meti quando resolvi criar uma edição especial da WarmNews dedicada ao Zakk Wylde! 🙂

Conforme prometido no post anterior, vou contar um pouco dos bastidores técnicos dessa aventura.

Um pouco de contexto

Em 1997, quando criei a “revista”, ainda era muito comum encontrar computadores com processadores 486 e Pentium, especialmente entre os usuários domésticos brasileiros. Máquinas com 4 ou 8 MB de RAM continuavam em uso, embora os computadores mais modernos já tivessem processadores bem mais rápidos e dezenas de megabytes de memória. E, convenhamos, no Brasil nem sempre o que existia de mais moderno lá fora era o que cabia no nosso bolso!

As GPUs como conhecemos hoje ainda não existiam, mas já tínhamos placas de vídeo com diferentes capacidades gráficas, algumas (raras nas terras tupiniquins) com aceleração 2D e até 3D. Quem não lembra das famosas Trident, geralmente trazidas do Paraguai pelo seu muambeiro preferido?!

Ao iniciar a máquina, o DOS carregava o config.sys e o autoexec.bat, e era nesses dois arquivos que você tinha que fazer toda a configuração necessária para conseguir realmente aproveitar a memória disponível, configurar a porta/irq da placa de som (geralmente uma Sound Blaster), página de código, mapa de teclado, etc.

A maioria dos computadores ainda usava o MS-DOS… na verdade, o próprio Windows 95 usava o MS-DOS por baixo dos panos. DOS não tem interface gráfica. Você tinha uma “tela texto” com 25 linhas e 80 colunas para usar (com monitores VGA, dava pra ativar/usar até 50 linhas). Obviamente fazer uma revista usando apenas tela texto deixaria tudo muito chato e limitado.

Na época, eu basicamente programava em Delphi e Clipper (para aplicações comerciais), Assembly (para baixo nível e performance) e Pascal (para todo o resto).

A WarmNews foi feita em Borland Pascal, com um pouco de in-line Assembly, e explorava os recursos gráficos das placas Super VGA através da interface VESA BIOS Extensions (VBE), permitindo criar uma interface totalmente gráfica com uma performance bastante razoável para a época.

Eu não encontrei o código fonte, provavelmente está perdido em algum backup em zip drive ou CD-R, então além da memória, a maior fonte de informação para esse artigo será o próprio readme que acompanhava a revista.

O padrão VESA VGA (mais conhecido como padrão Super VGA ou VBE – VESA BIOS Extensions) foi um conjunto de normas criado no final dos anos 1980 pela VESA (Video Electronics Standards Association) para unificar o funcionamento das placas de vídeo que ultrapassavam as especificações originais da IBM.

Espaço valia ouro!

Hoje pode parecer ridículo, mas na época em que a troca de arquivos se dava através de conexões com modem discado, economizar bytes não era luxo, era necessidade!

Gravei algumas cópias da WarmNews em disquetes de 1.44 MB para serem distribuídas para amigos próximos. Tive o capricho de criar e imprimir etiquetas coloridas para colar neles, usando uma impressora matricial Canon colorida!

Etiqueta impressa em impressora matricial colorida
Conteúdo do disquete com a WarmNews

O arquivo WNEWSZAK.EXE era um self-extract gerado pelo RAR (o pai do WinRar que vocês conhecem hoje). Após descompactá-lo, os seguintes arquivos eram gerados:

DATA.001        Magazine Data File
DATA.002        Magazine Data File
DATA.003        Magazine Data File
DATA.004        Magazine Data File
DATA.005        Magazine Data File
DATA.006        Magazine Data File
DATA.007        Magazine Data File
DATA.008        Magazine Data File
DATA.009        Magazine Data File
DATA.010        Magazine Data File
DATA.011        Magazine Data File
DATA.012        Magazine Data File
DATA.013        Magazine Data File
DATA.014        Magazine Data File
DATA.015        Magazine Data File
DATA.016        Magazine Data File
DATA.017        Magazine Data File
DATA.018        Magazine Data File
README.BAT      BAT file used to read the readme file
WNEWS.CHK       Internal use
WNEWS.CMP       Magazine Data File
WNEWS.CRC       CRC file
GREAT2!.EXE     WarmBoot BBS ad
SCROLL.EXE      Program used to read text files
WNEWS.EXE       Magazine Program
FILES.LST       This file...
MOUSE.PCX       Mouse Pointer
LOGO.TXT        Logo
README.TXT      Readme File
PERRY.XM        Perry Mason Song

Requisitos mínimos

Já no início do readme tínhamos as informações do hardware mínimo necessário para poder executar a revista:

Note o detalhe da caixa de texto “sombreada”. Isso era comum na época, quando você queria destacar alguma informação simulando um “card”. As bordas eram feitas usando caracteres especiais das páginas de código do DOS (aquilo que muita gente chamava de ASCII estendido). Dependendo dos caracteres utilizados e da página de código configurada, o resultado podia aparecer diferente do esperado. Aliás, era comum evitar acentos nos arquivos README.TXT justamente para não correr esse risco!

Som decente (sai pra lá, mid!!!)

Para os sortudos que tivessem uma placa de som, o WarmNews permitia tocar músicas em background enquanto você lia a revista. Para esse feito, usei rotinas criadas por Charles Attard, que tocava diversos formatos de arquivo (669/MOD/MTM/NST/S3M/WAV/XI/XM).

Por que não MP3? Bem… embora o formato já existisse, ainda estava longe de ser popular, especialmente entre os usuários brasileiros. Além disso, reproduzir MP3 consumia um bocado de processamento, algo que não podíamos desperdiçar em computadores mais modestos. O formato começaria a ganhar muito mais popularidade com programas como o Winamp, lançado em abril de 1997.

Na época, muitos jogos utilizavam músicas reproduzidas através dos sintetizadores FM das placas de som, como os famosos chips Yamaha OPL2 e OPL3 presentes nas Sound Blaster. Também existiam músicas no padrão MIDI, cujos arquivos continham basicamente instruções musicais (notas, instrumentos, duração etc.), deixando a geração do som por conta do sintetizador disponível.

O problema é que, dependendo da placa, o resultado podia deixar bastante a desejar. Naquelas Sound Blaster mais simples, algumas músicas pareciam sair de um tecladinho de brinquedo de criança! Os donos de Commodore Amiga se deliciavam tirando sarro dos PCs com som mixuruca!

Felizmente, algumas pessoas criativas encontraram uma forma de driblar as limitações técnicas do hardware disponível na época, e criaram arquivos que traziam embutido samples de instrumentos musicais reais, além da estrutura da música em si (notas, tempo, duração etc).

Provavelmente o padrão mais difundido na época era o MOD. Os players de música (no nosso caso, as rotinas criadas pelo Charles) usavam uma série de algoritmos que atuavam sobre esses samples para “criar” a variação de diferentes notas musicais e depois “mixar” os instrumentos, gerando o áudio final que o usuário ouvia sair pela caixa de som.

Vejamos o que o readme diz sobre isso:

Memória livre, quanto mais, melhor!

Se tem uma coisa que não mudou muito até os dias de hoje é o fato de que memória nunca é demais, e que continua cara!

Mas na era do DOS, não bastava espetar mais pentes de memória no computador. O MS-DOS tradicionalmente trabalhava com apenas 640 KB de memória convencional, e usar a memória adicional exigia alguns malabarismos. Dependendo do programa, era necessário configurar gerenciadores como HIMEM.SYS, EMM386 ou QEMM, que permitiam aproveitar a memória estendida (XMS), a memória expandida (EMS) e até liberar alguns preciosos kilobytes de memória convencional.

Isso era feito através de drivers como EMM386/QEMM386/HIMEM.SYS.

O readme traz uma seção apenas sobre isso:

Com certeza muitos aqui se emocionaram quando viram “OS/2” acima, não? 😀

Obviamente, se você queria aproveitar todo o potencial da WarmNews e ouvir música de fundo enquanto lia a revista, precisava garantir memória suficiente para que o player conseguisse carregar e tocar os arquivos de música. A própria WarmNews trazia uma versão da música Perry Mason, do Ozzy Osbourne, em formato .XM, para ser usada como exemplo.

O player MMP usava as mesmas rotinas que o WarmNews (feitas pelo Charles), então no readme eu copiei algumas informações do MMP com dicas e instruções para rodar a revista com música de fundo:

Para os mais saudosistas (ou masoquistas!), reproduzo abaixo as explicações que acompanhavam o player MMP sobre as diferentes formas de gerenciar memória no DOS.

Sobre a memória, o MMP utiliza 3 modos para evitar a mensagem de “memória insuficiente” (not enough memory) (muito irritante quando você possui 4, 8, 16 ou mais Megabytes de memória no sistema e precisa de apenas algumas centenas de kilobytes). Ele utiliza os tipos de memória DOS, EMS e XMS.

Os modos possíveis são:

Modo: Por que o MMP usa este modo:

  • DOS
    O módulo carregado é pequeno o suficiente para caber na memória convencional. Porém, se um instrumento tiver tamanho superior a 64 KB (caso o módulo carregado seja um 669, MTM ou XM), o MMP utilizará o modo linear DOS/XMS de 32 bits para evitar truncamento. Este é o modo mais rápido.
  • DOS/EMS
    Os instrumentos não cabem na memória DOS, mas os padrões (patterns) cabem (pressupõe-se que sempre seja esse o caso). Os instrumentos são carregados na EMS, mas são truncados em 64 KB (você receberá um aviso), uma vez que arquivos MTM, 669 e XM podem ter instrumentos com 1 MB ou mais no caso dos XMs.
    Para evitar isso, você deve permitir que o MMP entre no modo linear XMS de 32 bits desativando qualquer gerenciador de memória expandida, como EMM386, QEMM386… e ativando o HIMEM.SYS.
    Note que o modo DOS/EMS é lento; portanto, se você tiver menos do que um processador 486DX de 120 MHz, realmente deve fazer isso!
  • DOS/XMS linear de 32 bits
    Assim como no modo DOS/EMS, o tamanho total dos instrumentos é grande demais para caber na memória DOS. Este é o melhor modo (rápido, toda a memória livre fica disponível e os samples não são truncados em 64 KB). Veja acima como ativá-lo.
    Neste modo, o processador realiza endereçamento linear em modo real (unreal mode)! A Tabela de Descritores Globais (GDT) é modificada, e é por isso que ele é totalmente incompatível com outros aplicativos rodando em modo protegido ou modo V86.

O MMP tenta primeiro entrar no modo linear XMS de 32 bits para que possa liberar memória convencional para o shell do DOS. Se este modo não estiver ativado (verifique na janela de configuração do MMP), significa que o processador está em modo protegido (EMM386, QEMM386 ou o prompt do DOS no Windows estão ativos) ou não há memória XMS livre suficiente.

Que complicação, não?! Mas essa era a vida de quem se aventurava na computação na década de 90!

Criando uma interface gráfica do zero (e até um mini-HTML!)

Além do índice, cada seção da revista tinha uma arte de fundo. As artes foram criadas pelo Binho Miranda, usando fotos do Zakk que peguei na internet. São imagens de 640×480 pixels, com 256 cores, gravadas no formato PCX e exibidas usando recursos Super VGA (VESA VBE). Lembre-se: espaço era ouro, então tínhamos que usar só o mínimo necessário que garantisse qualidade suficiente.

O texto das matérias de cada seção era literalmente “desenhado” em cima da imagem de fundo. Como eu queria fazer algo diferente, resolvi não usar a fonte padrão das telas de texto do MS-DOS. Não me lembro mais o nome da fonte, nem o formato do arquivo, mas trouxe um “detalhe” a mais para a revista, mesmo parecendo “tosco” para os dias atuais.

Outro ponto que tive que codificar foi uma espécie de “html primitivo”. Criei tags para mudar a cor do texto, e criei também hyperlinks básicos para que o usuário clicasse e gerasse alguma ação (geralmente abria uma foto relacionada ao texto destacado).

Sendo uma revista “gráfica”, o uso do mouse era imprescindível, tanto para navegar pela revista (botão esquerdo/botão direito) como para clicar nas opções do índice e nos hyperlinks.

Como o MS-DOS não tinha suporte nativo a mouse, era necessário utilizar um driver específico, geralmente acessado através da interrupção 33h. Além disso, implementei a lógica de navegação, a detecção dos cliques nos hyperlinks e o desenho do próprio cursor, que era uma imagem PCX com uma máscara para simular transparência. A cada clique era necessário verificar se o cursor estava em cima de um “hyperlink”, para realizar a ação necessária.

Havia também alguns efeitos que implementei. A mudança de telas usava um scroll suave, manipulando diretamente a VGA para garantir a suavidade do movimento necessária. Os textos eram desenhados também com um efeito.

Fonte especial, mudança de cores, hyperlinks… era uma implementação rústica e básica de um mini-html

Preparando a revista para distribuição

Aqui estou dependendo unicamente da minha memória…

Pelo que me recordo, a estrutura da revista, as matérias, hyperlinks, fonte utilizada, etc eram definidos em um arquivo texto, usando tags e parâmetros especiais. Depois, um executável lia e “compilava” tudo isso em um arquivo binário (WNEWS.CMP), gerando também os checksums, etc.

O executável da revista (wnews.exe) checava os requisitos mínimos de hardware, lia o wnews.cmp e demais arquivos, verificava a integridade deles, procurava músicas (caso o usuário tivesse passado o diretório em linha de comando), inicializava as rotinas do player de música (se fosse o caso) e, aí sim, exibia a revista para o usuário.

Hoje, quase 30 anos depois, é curioso pensar no trabalho necessário para implementar coisas que atualmente são resolvidas com algumas linhas de HTML, CSS e JavaScript.

Ao mesmo tempo, foi justamente esse tipo de desafio que tornou aquela época tão divertida para quem gostava de programação. Havia limitações por todos os lados, e encontrar maneiras de contorná-las era parte da diversão.

Pena que não encontrei mais o código-fonte da WarmNews. Seria interessante revisitar algumas dessas soluções hoje — embora eu suspeite que encontraria também algumas boas gambiarras! 🙂

Enfim, espero que tenham gostado dessa pequena viagem no tempo. Alguns provavelmente sentiram aquela nostalgia gostosa, enquanto outros devem estar se perguntando como conseguíamos programar sem Stack Overflow, GitHub ou ChatGPT.

Pois é… e ainda nos divertíamos! 😉

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When I Made a Digital Magazine About Zakk Wylde (and Ended Up Getting a Gift from Him!)

Leia em português

The Year Was 1997…

Back when the internet was still in its infancy in Brazil and lots of people were connecting to BBSes (Bulletin Board Systems, a kind of online community accessed through dial-up modems, long before social media existed), I decided to create a special edition of my digital magazine dedicated to one of my favorite guitarists: Zakk Wylde.

Little did I know that this Brazilian programmer’s little hobby would lead to an exclusive interview with Ozzy Osbourne’s guitarist and, a few months later, an envelope from the United States containing a surprise I still treasure to this day.

But let’s start at the beginning…

The WarmNews

I created the WarmNews digital magazine back in the ’90s, when I was the SysOp of WarmBoot BBS (SysOp = System Operator, the person who ran a BBS).

The first editions were available on WarmBoot BBS itself and distributed through RBT (Rede Brasileira de Teleinformática, a Brazilian BBS network) to other BBSes in the network, and maybe even to the rest of the world. The content was a mix of technical articles, humor, and interviews.

Why Zakk Wylde?

Being the frustrated wannabe guitarist that I (still) am, Zakk Wylde was already one of my favorite guitarists. With the amazing work he was doing alongside Ozzy and as a solo artist, I thought dedicating a special edition of WarmNews to him would be a great idea.

Back then, news didn’t travel nearly as fast as it does today, but Zakk already had a basic website. I decided to take a chance and email Randy Canis, who ran the site, and he was more than happy to help me out with some information.

And that settled it! The next WarmNews would be all about Zakk!

A Digital Magazine in the MS-DOS Days

We’re talking about a time when PCs with sound cards were becoming increasingly common in Brazil. Even though Windows 95 had already been released, plenty of people were still using MS-DOS, so the magazine was developed for DOS. The Zakk Wylde special edition introduced a fully graphical interface (still running on top of DOS, though), with mouse navigation and support for Sound Blaster-compatible sound cards (if you had a sound card, you could read the magazine while listening to MOD, XM, and other music formats playing in the background).

I’m a programmer, not a designer, so obviously, if I wanted the magazine to look halfway decent, I’d need someone who actually knew what they were doing. I got in touch with Binho Miranda (whom I’d met through the BBS), sent him some pictures of Zakk I’d found on the internet, and he used them to create the artwork for the magazine’s index and “pages.”

For those interested in the technical side, I wrote another post about that.

An Exclusive Interview with Zakk Wylde!

Since the magazine would be distributed on the internet, including through Zakk’s official website, all the content was written in English.

Zakk’s official website featured a link to download WarmNews

I wrote the articles myself, based on the information (sometimes pretty scarce) I could find online and in magazines at the time. But something was missing. Something better, something more exclusive…

I asked Randy if I could send over a few questions for Zakk to answer, hoping to get an exclusive interview for WarmNews.

Since Zakk was busy touring, Randy interviewed him over the phone and sent me the answers. Sure, it took almost two months of waiting, but hey, it all worked out in the end! 🙂

Zakk has always been known for his great sense of humor in interviews 🙂

An Unexpected Gift

A few months after the magazine was released, when I thought the story was already over, an envelope from Randy showed up in my mailbox.

Inside was a promotional photo of Zakk, autographed and personally inscribed to me. As if that weren’t enough, there was also an original film photograph (yes, an actual photo developed from film!) showing Zakk backstage at a show, having a good laugh with none other than Billy Sheehan and Eddie Van Halen!

I still have both photos to this day.

Looking back, almost 30 years later, it’s funny to think that a digital magazine made by a Brazilian programmer, using MS-DOS and a healthy dose of enthusiasm, could have led to all of this.

Back then, all I wanted was to combine two things I really loved: programming and playing guitar. Instead, I ended up with one heck of a story to tell! 😉

And Maybe the Story Isn’t Over Yet…

Next week, I’m going to a Black Label Society concert (Zakk’s current band). Who knows? Maybe I’ll finally get to shake his hand and, while I’m at it, get him to autograph the original 1.44 MB WarmNews floppy disk I’ve been keeping for almost 30 years! 🙂

That would be a pretty cool way to bring things full circle. Or maybe start a whole new chapter!

The original WarmNews floppy disk, recorded almost 30 years ago. And guess what? It still works!

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Quando fiz uma revista digital sobre Zakk Wylde (e acabei recebendo um presente dele!)

Read it in English

O ano era 1997…

Quando a internet ainda engatinhava no Brasil e muita gente acessava BBS (Bulletin Board System, espécie de comunidade online acessada por modem discado, muito antes das redes sociais existirem), resolvi criar uma edição especial da minha revista digital, falando sobre um dos meus guitarristas preferidos: Zakk Wylde.

O que eu não imaginava é que aquele passatempo de um programador brasileiro acabaria rendendo uma entrevista exclusiva com o guitarrista de Ozzy Osbourne e, meses depois, um envelope vindo dos Estados Unidos com uma surpresa que guardo até hoje.

Mas vamos começar pelo começo…

A WarmNews

Criei a revista digital WarmNews na década de 90, quando era SysOp da WarmBoot BBS (SysOp = System Operator, a pessoa que administrava um BBS).

As primeiras edições eram disponibilizadas no próprio WarmBoot BBS e distribuídas pela RBT (Rede Brasileira de Teleinformática) para outros BBS da rede e talvez para o resto do mundo. O conteúdo era uma mistura de artigos técnicos, humor e entrevistas.

Por que Zakk Wylde?

Como pseudo-guitarrista-frustrado que (ainda) sou, Zakk Wylde já era um dos meus guitarristas preferidos. Com o trabalho excelente que fazia ao lado do Ozzy e como artista solo, achei que seria uma boa ideia dedicar uma edição especial da WarmNews a ele.

Naquela época, quando as notícias não se espalhavam na velocidade de hoje, Zakk já tinha um website básico. Resolvi arriscar entrar em contato por e-mail com Randy Canis, responsável pelo site, que prontamente se dispôs a ajudar com algumas informações.

Pronto! A próxima WarmNews seria dedicada ao Zakk!

Uma revista digital, ainda nos tempos do MS-DOS

Estamos falando de uma época em que os computadores “PC” com placas de som estavam se tornando mais comuns no Brasil. Apesar do Windows 95 já ter sido lançado, muita gente ainda usava o MS-DOS, por isso a revista foi escrita para DOS. A edição especial Zakk Wylde estreou uma interface totalmente gráfica (mas ainda em cima de DOS), com navegação via mouse e suporte a placas de som compatíveis com a Sound Blaster (quem tinha placas de som podia ler a revista ouvindo de fundo músicas no formato MOD, XM, etc).

Sou programador, não designer, então é claro que pra ter o mínimo de qualidade visual seria necessário o trabalho de alguém que entendesse do assunto. Falei com o Binho Miranda (que conheci através do BBS), mandei pra ele algumas fotos do Zakk que peguei na internet, e em cima delas ele criou as artes que foram usadas no índice e nas “páginas” da revista.

Para quem se interessa pela parte técnica, escrevi outro post falando só sobre isso.

Uma entrevista exclusiva com Zakk Wylde!

Como a revista seria distribuída na internet, inclusive no site oficial do Zakk, o conteúdo foi escrito em inglês.

O site oficial do Zakk tinha um link para download da WarmNews

O texto das matérias foi escrito por mim, baseado no material (as vezes escasso) disponível na internet e em revistas da época, mas faltava algo melhor, mais exclusivo…

Perguntei ao Randy se eu poderia enviar algumas perguntas para o Zakk responder, para uma entrevista exclusiva para a WarmNews.

Como Zakk estava ocupado em turnê, Randy fez a entrevista com ele por telefone, e me mandou as respostas. Tudo bem que nesse meio tempo houve quase dois meses de espera, mas no fim deu tudo certo 🙂

Zakk sempre foi conhecido pelo seu bom humor nas entrevistas 🙂

Um presente inesperado

Alguns meses depois do lançamento, quando eu já achava que a história tinha terminado, recebi um envelope pelo correio, enviado pelo Randy.

Dentro havia uma foto de divulgação do Zakk autografada e com dedicatória. Como se isso já não fosse suficiente, veio também uma fotografia original, daquelas reveladas de filme, mostrando Zakk nos bastidores de um show, dando boas risadas ao lado de ninguém menos que Billy Sheehan e Eddie Van Halen!

As duas fotos estão comigo até hoje.

Olhando para trás, quase 30 anos depois, é engraçado pensar que uma revista digital feita por um programador brasileiro, usando MS-DOS e uma boa dose de entusiasmo, tenha proporcionado tudo isso.

Naquela época, eu só queria juntar duas coisas de que gostava muito: programação e guitarra. Acabei ganhando uma história para contar 😉

E a história talvez ainda não tenha terminado…

Na próxima semana vou a um show da Black Label Society, atual banda do Zakk. Quem sabe não consigo finalmente apertar a mão dele e, de quebra, um autógrafo no disquete de 1.44 MB da WarmNews que guardo há quase 30 anos? 🙂

Seria um belo jeito de fechar esse ciclo. Ou talvez começar outro!

Disquete original, gravado há 30 anos atrás contendo a WarmNews. Detalhe: ainda funciona!

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ilumilink 2.0

Planeje toda a elétrica da obra antes de quebrar a primeira parede (e agora de graça!)

O Ilumilink é um programa para planejar visualmente onde vão ficar as tomadas, os interruptores e as lâmpadas de um ambiente — e como cada coisa se liga com a outra. A versão 2.0 acaba de ser lançada e traz uma grande novidade: a licença BASIC passou a ser gratuita.

Por que escrevi esse programa

O Ilumilink não nasceu de uma ideia de negócio. Nasceu de uma necessidade minha, quando estava construindo uma casa.

Em obras anteriores já tinha esbarrado no mesmo problema: fazer o eletricista saber exatamente onde eu queria cada interruptor, cada tomada e cada lâmpada — e, principalmente, o que deveria acender o quê — era uma tarefa complicada. Rabiscos no papel, explicação no meio da obra, marcação de giz na parede: nada disso atravessa uma construção inteira sem virar mal-entendido. E esse tipo de mal-entendido geralmente só aparece quando a parede já está fechada!

Pensei em reccorrer a ferramentas profissionais, do tipo CAD, mas não fazia sentido: complexidade demais para aprender e custo demais para justificar algo que, no fundo, era um problema de comunicação — eu precisava mostrar um layout com clareza, não projetar uma usina nuclear 😀

Como não encontrei nada nesse meio-termo, acabei escrevendo. Só que eu achei que ficou tão legal que merecia ser disponibilizado para outras pessoas que estivessem sofrendo do mesmo problema.

Se você é eletricista, arquiteto, designer de interiores ou simplesmente alguém que gosta de “colocar a mão na massa”, vale os cinco minutos de leitura.


O problema: a elétrica é decidida cedo demais e no lugar errado

Todo mundo que já construiu conhece a cena:

O pedreiro pergunta onde vai a tomada da bancada. Você olha para a parede vazia, imagina a cozinha pronta e responde de cabeça. Três meses depois, com a geladeira no lugar, descobre que a tomada ficou atrás dela.

O problema é que as decisões de elétrica são tomadas na fase mais bruta da obra e desfeitas na fase mais cara. Depois que o revestimento subiu, mudar um ponto significa quebrar parede.

E as ferramentas disponíveis não ajudam:

  • Papel e caneta não mostram a lógica das ligações. Você marca um “x” na parede e torce para lembrar depois.
  • Softwares de CAD resolvem, mas exigem curso, licença cara e paciência — e a maioria das obras residenciais não justifica esse esforço.

O Ilumilink nasceu exatamente nesse meio do caminho.

Tela principal com um projeto de exemplo carregado

O que é o Ilumilink

O Ilumilink é um programa para Windows em que você carrega a imagem da planta baixa — pode ser o PDF do arquiteto exportado como imagem JPG, ou até uma foto do desenho — e vai posicionando os componentes por cima dela, arrastando com o mouse.

Não é CAD. Você não desenha paredes, não cota nada, não aprende comandos. Você posiciona e conecta.

Como funciona na prática

  1. Carregue a planta e informe a escala.
  2. Posicione as caixinhas (de interruptores e tomadas) e as lâmpadas nos lugares onde elas realmente vão ficar.
  3. Crie as ligações: clique no interruptor, clique na lâmpada. Pronto, estão ligados.
  4. Simule: clique no interruptor dentro do programa e veja a lâmpada acender e apagar na tela.
  5. Imprima ou exporte o resultado para levar para a obra.

Esse passo 4 parece um detalhe bobo, mas é o que mais convence quem testa. Você descobre que esqueceu o three-way do corredor clicando no interruptor, não com o eletricista já na obra.

Se você prefere ver a coisa em movimento a ler sobre ela, o canal do Ilumilink no YouTube tem uma série de vídeos com o programa em uso. Os mais úteis para começar:

  • Tutorial Rápido (21 min) — o passo a passo completo, do carregamento da planta ao projeto pronto. Se você for assistir só um, assista esse.
  • Escala e medição (4 min) — como calibrar a escala da planta. É o passo que permite medir distâncias direto no software e, a partir da versão 2.0, calcular a estimativa de fiação.
  • Detectar inconsistências no projeto (4 min) — a verificação automática de erros de lógica funcionando.
  • Propriedades dos objetos (7 min) — altura, voltagem, amperagem, tipo de lâmpada: onde se ajusta cada detalhe.
  • Usando a grade de alinhamento (3 min) — para o desenho sair alinhado sem esforço.

⚠️ Os vídeos acima foram gravados na versão anterior, então as novidades da 2.0 que você vai ler a seguir ainda não aparecem neles. O funcionamento básico, porém, é o mesmo.

Clicando em um interruptor acende/apaga a(s) lâmpada(s) ligada(s) à ele

O que ele faz por você

  • Vários tipos de ligação: simples, paralelo (three-way), four way e ligações virtuais.
  • Lista de materiais automática: quantas caixinhas, quantos módulos de tomada e de interruptor você precisa comprar. Sem contar no dedo.
  • Organização por cômodo: cada item pertence a um ambiente, e você enxerga tudo separado por cômodo.
  • Detecção de inconsistências: o programa procura sozinho os erros de lógica — lâmpada sem interruptor, item sem cômodo definido, tomada em altura inadequada, ligações incorretas. Corrija tudo antes de começar a cortar parede.
  • Controle de cada detalhe: posição, altura, voltagem, amperagem, tipo de lâmpada — tudo editável pela janela de propriedades ou pela árvore de itens.
  • Impressão em várias folhas: plantas grandes são fatiadas automaticamente em várias páginas, respeitando o DPI da impressora, para você montar e levar para a obra sem perder legibilidade.
Relatório mostrando algumas inconsistências encontradas no projeto

As novidades da versão 2.0

1. A licença BASIC agora é gratuita

Essa é a grande notícia. Antes, a BASIC era paga; agora é grátis, e basta um cadastro no site com nome e e-mail para receber a chave.

Com a BASIC você trabalha com projetos de até 150 caixinhas e 150 lâmpadas — o que cobre folgadamente uma casa, um apartamento ou uma loja — sem as limitações do modo de avaliação (que trava em 5 caixinhas e 5 lâmpadas). E a renovação também é gratuita: um clique no botão “Renovar grátis” dentro da tela “Sobre”, sem digitar chave de novo.

A licença PRO continua existindo para quem precisa de mais: sem limite de caixinhas e lâmpadas, exportação de relatórios em PDF, Excel, Word, HTML e imagens, e logotipo personalizado nos relatórios — útil para quem entrega o projeto para um cliente.

2. Ligações em ângulo reto, com “pulinho” nos cruzamentos

Até a 1.x, as ligações eram desenhadas como linhas retas ligando um ponto ao outro. Funciona, mas em uma planta cheia vira uma teia de aranha.

Agora existe uma opção na barra superior para escolher o traçado: linhas retas (legado) ou ortogonal — ângulo reto, no estilo de um esquema elétrico de verdade. No modo ortogonal, cada linha nasce no próprio botão do interruptor e sai pela borda mais adequada da caixinha, então fica claro de qual interruptor cada ligação parte, mesmo em caixinhas com vários módulos.

E veio junto o detalhe que faz diferença de verdade: quando uma linha cruza outra, ela passa por cima com um pequeno arco — o “pulinho” dos esquemas elétricos. À primeira vista você sabe que as duas apenas se cruzam, sem conexão entre elas. Em plantas cheias, seguir o caminho de cada ligação ficou muito mais fácil.

Exibindo ligações em linha reta x ortogonais

3. Estimativa de fiação: quantos metros de cabo comprar

Este é o recurso novo mais pedido por quem usa o programa profissionalmente. Acessado no menu Impressão, o Ilumilink calcula a metragem aproximada de cabo do projeto, separada por condutor e pela cor padrão de cada função:

  • Fase — vermelho
  • Neutro — azul-claro
  • Terra — verde/amarelo
  • Retorno — amarelo

O resultado vem dividido em ILUMINAÇÃO e TOMADAS, com subtotais independentes e um total geral por cor — que é exatamente como o cabo é comprado na loja.

O cálculo usa três parâmetros que ficam na tela de Configuração do projeto e que você ajusta conforme o seu jeito de trabalhar: pé-direito, folga por ponta e percentual de desperdício.

Um recurso que anda junto: agora dá para marcar a posição do quadro de distribuição na planta (botão direito na área da planta → “Definir quadro de distribuição aqui”). Com o quadro posicionado, a estimativa passa a incluir também a alimentação das caixas e a fiação das tomadas, assumindo alimentação em cadeia a partir do quadro.

Um aviso honesto, que o próprio relatório traz: isso é uma estimativa, não um orçamento fechado. O programa não tem como saber o trajeto exato que o eletricista vai seguir com os conduítes, e a bitola em mm² continua sendo definição do profissional. O relatório explica as premissas que usou e as limitações do cálculo — leia antes de comprar o material.

Estimativa de metragem de cabos
Tela de configurações do projeto

4. Desfazer e Refazer

Faltava, e agora tem: Ctrl+Z para desfazer e Ctrl+Y para refazer, também disponíveis no menu do botão direito.

E vale para quase tudo: criar, excluir, mover e editar itens, atribuir cômodo, girar caixinha, criar e remover ligações, definir o quadro de distribuição — e até trocar ou remover a imagem da planta. O histórico é reiniciado ao carregar ou fechar um projeto.

5. Navegar na planta ficou natural

Pequenos ajustes que mudam o dia a dia de quem trabalha com plantas grandes:

  • Zoom com Ctrl + roda do mouse agora mantém fixo o ponto que está sob o cursor, em vez de jogar a visualização para outro canto.
  • Arrastar a planta (pan) segurando o botão do meio do mouse — sem precisar das barras de rolagem.
  • Arrastar itens com zoom aplicado mantém a posição exata, sem os pequenos desvios que se acumulavam a cada movimento.
  • Excluir uma caixinha ou lâmpada pede confirmação, evitando exclusões acidentais.

6. E mais de 20 correções

A 2.0 também carrega uma lista longa de correções — várias delas em situações que podiam corromper o arquivo do projeto (nomes duplicados, nomes com ponto-e-vírgula, renumeração automática de caixinhas), além de melhorias na abertura de projetos antigos e na validação da licença. Se você usa o Ilumilink há algum tempo, essa atualização é especialmente recomendada.


Conclusão

Planejar a elétrica antes de executá-la não é luxo de projeto grande — é o que separa uma obra que fica do jeito que você imaginou de uma obra cheia de puxadinhos elétricos e extensões penduradas.

O Ilumilink foi feito para tornar esse planejamento visual, rápido e acessível a quem não é especialista, e a versão 2.0 fecha o ciclo: com a licença BASIC gratuita, o traçado em ângulo reto, a estimativa de fiação e o desfazer/refazer, não sobra muito motivo para continuar rabiscando a elétrica no verso do projeto.

Baixe e teste — é grátis

O Ilumilink roda em Windows 10 ou superior e o download é gratuito.

👉 Baixe o Ilumilink e cadastre-se para receber sua licença BASIC gratuita

📺 Quer ver funcionando antes de instalar? Os tutoriais estão no canal @ilumilink no YouTube — vale se inscrever, porque os vídeos das novidades da 2.0 vão sair por lá.

🌐 E o programa está detalhado em www.ilumilink.com.br.

Se você testar, me conte nos comentários o que achou — principalmente se for eletricista. **Feedback de quem passa o cabo na parede vale mais do que qualquer lista de recursos 🙂 **

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Great2! – código fonte e técnicas utilizadas

Em 1994 eu era o SysOp da WarmBoot BBS e cursava o último ano de Ciência da Computação. Durante muito tempo, os BBS reinaram absolutos conectando pessoas em todo o mundo, antes de serem eliminados da face da terra com a chegada da Internet para o público geral.

Além da troca de mensagens, os BBS serviam também como repositórios de arquivos, em geral sharewares, freewares, imagens, etc. Usuários discavam para o BBS para baixar/subir arquivos, trocar mensagens, etc. Havia uma tradição em que cada BBS adicionava um pequeno arquivo texto aos arquivos compactados (.arj, .zip, .lzh, etc) do acervo, indicando que ele foi baixado daquele determinado BBS, além de informações básicas como: o nome e telefone do BBS, parâmetros para conexão via modem, etc. Enfim, uma propaganda que ajudava a divulgar a existência do BBS para outras pessoas e, com sorte, captar novos usuários pagantes. Esses arquivos precisavam ser minúsculos, afinal, estamos falando de conexões discadas que variavam entre 2.400bps e 56Kbps, dependendo do seu modem e da qualidade da linha telefônica. Pra se ter ideia, um arquivo de 100KB demoraria entre 5 e 8 minutos para ser baixado em uma conexão de 2.400bps, dependendo das condições da linha!

O WarmBoot BBS era referência na distribuição de Demos de multimidia. Eramos distribuidores oficiais da Future Crew e da Twilight Zone. Sempre achei fantástico o que os demogroups faziam usando assembly, em uma época em que o clock da maioria dos PCs não passava de 40Mhz.

Decidi então fazer algo diferente da maioria dos BBS: ao invés de incluir um arquivo texto chato de “propaganda”, criei algo mais divertido e animado – uma “intro” em modo texto, o great2!. Como pode ser visto no vídeo abaixo (gravado em uma janela emulada do DOS), ao ser executado, o great2! fazia a “propaganda do BBS” quicar na tela, enquanto rolava uma música de fundo juntamente com um VU bargraph animado (no vídeo, a rolagem pode não parecer tão suave, afinal, foi gravado em um emulador de DOS que simulava inclusive a taxa de refresh de um monitor CRT).

Lembre-se, o Windows 95 nem mesmo tinha sido lançado e o Windows 3.1 era meramente uma interface gráfica tosca que rodava em cima do MS-DOS. A maioria dos programas ainda eram executados em modo texto (80 colunas x 25 linhas), nada de mouse, janelas etc! Aqueles mais abonados tinham placas de som em seus computadores (SoundBlaster era o suprassumo da época), monitores CRT (Syncmaster 3 era o que tinha de melhor) e placas “Trident” Super VGA com no máximo 1MB de RAM.

A parte mais interessante do great2! era com certeza o efeito da tela quicando. O modo texto, por padrão, tem um número limitado de colunas e linhas para se trabalhar (80 x 25). Normalmente, rolar um texto significava deslocar as linhas para cima ou para baixo, o que obviamente não causava uma rolagem “suave”, já que cada linha tinha 16 pixels de altura, ou seja, cada deslocamento significava mover o texto na tela no mínimo 16 pixels para cima ou para baixo. O “tchã” do great2! era usar recursos de programação gráfica VGA juntamente com o sincronismo do tempo de retrace vertical dos monitores para “pintar a tela” começando no momento certo e no “pixel” certo, causando um efeito de rolagem suave. O sincronismo do retrace era essencial – sem ele é como se partes da imagem parecessem “quebradas”.

Vou deixar a I.A. explicar o conceito, pois creio que ela fará isso de forma mais didática:

O “motor de rolagem” do programa não redesenha a tela: ele desenha o conteúdo uma vez na memória de vídeo VGA em modo texto e depois altera os registradores da [placa gráfica] VGA para mudar a linha inicial de exibição. Como a VGA permite deslocar a imagem por scanlines dentro das células de texto (25 linhas x 16 pixels = 400 scanlines no total), o movimento fica suave, mesmo sem usarmos um modo gráfico.

A sincronização é feita esperando o vertical retrace do monitor CRT, isto é, o breve intervalo entre um quadro e outro em que o feixe de raios catódicos volta ao topo da tela. Ao atualizar os registradores nesse momento, o código evita flicker e tearing, algo equivalente a usar VSync em gráficos modernos.

Em resumo: o efeito funciona como uma “câmera” que se move sobre uma tela já pronta, usando recursos do hardware VGA e sincronizando as mudanças com o refresh do monitor.

Também pedi pra ela fazer uma simulação animada, pra ficar ainda mais fácil de entender o que acontece:

Simulador de Hardware: Scroll Suave VGA (Modo Texto)

Lado Esquerdo: O monitor CRT real. Repare que o texto não se move na memória, a VGA apenas muda onde a tela começa.
Lado Direito: A VRAM (Memória) está fixa. O retângulo vermelho representa os Registradores da VGA mudando a cada ciclo de Retrace.

É claro que o impacto do great2! não ficava apenas no movimento suave, mas também no tamanho minúsculo do executável (5.7Kb) e na música de fundo. Para tocar a música, usei o HSC Player, disponibilizado publicamente por Hannes Seifert, da NEO Productions (uma desenvolvedora de jogos da Austrália). A música também não é de minha autoria! Peguei pronta na internet e confesso que não me lembro quem era o autor. O “anúncio”, ou seja, o texto colorido foi feito usando o The Draw, um editor de telas ANSI amplamente utilizado pelos SysOps para construir as telas de boas vindas e menus dos BBS. Telas ANSI eram a única forma de adicionar texto colorido na interface de um BBS. Lembre-se, tudo era texto/bytes sendo transmitido pela linha telefônica da forma mais crua possível. Usando ANSI conseguiamos adicionar cores aos caracteres. Em conexões lentas, dava pra ver as telas sendo desenhadas caractere por caractere – haja paciência!

Abaixo está o código fonte do great2!, incluindo meus comentários escritos em um inglês vergonhoso e cheio de erros (tinha 19 anos e havia aprendido inglês por conta própria, lendo revistas e livros americanos sobre programação). Muitas vezes recebi mensagens de pessoas que desacreditavam que um executável tão pequeno podia fazer “tanta coisa”.

O código mostra várias técnicas típicas da programação Assembly/DOS que hoje parecem bem “artesanais”, mas eram normais na época: acesso direto à memória de vídeo (B800h) em vez de APIs gráficas, escrita direta em portas de hardware da VGA (03DAh, 03D4h, 03C8h, 03C9h), sincronização manual com o retrace vertical do monitor, rotação de palheta de cores, uso de interrupções BIOS/DOS (int 10h, int 16h, int 21h), controle explícito de registradores, segmentos e pilha, além de CLI/STI para bloquear interrupções durante trechos críticos.

Também chama atenção o uso de rotinas externas para música AdLib, com callback de IRQ para desenhar VUs na tela enquanto a música toca, e a tela inicial armazenada de forma comprimida e descompactada diretamente na memória de vídeo. Para um programador moderno, é curioso porque quase tudo que hoje seria delegado ao sistema operacional, driver gráfico, engine ou biblioteca era feito “na unha”, conversando diretamente com o hardware e sincronizando o tempo visual quase quadro a quadro.

A AdLib era uma placa de som para PCs, famosa no fim dos anos 1980/início dos 1990, que gerava música por síntese FM usando o chip Yamaha OPL2. As Sound Blasters e demais placas de som que vieram depois mantiveram a compatibilidade básica com a AdLib.

As barras do VU, que simulavam um spectrum analyzer, representavam na verdade o nível de sinal de cada instrumento que estava tocando naquele momento, e dava um toque especial e um certo dinamismo na apresentação.

O great2! era compilado com o tasm – o Turbo Assembler, assembler da Borland usado principalmente em DOS para escrever e compilar programas em linguagem Assembly para processadores x86, como o 8086/286/386.

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Motocada para Prudentópolis

Mapa geral
Mapa geral da viagem

Vídeo no final do artigo

Depois de alguns anos sem fazer uma viagem longa de moto, quando a previsão do tempo mostrou uma semana sem chuva, decidimos em cima da hora ir pra Prudentópolis-PR, terra das cachoeiras gigantes, e agora também conhecida como a cidade do “vô Stanislau” 🙂

O percurso sem paradas, saindo de Piracicaba e Paulínia até Prudentópolis, dá cerca de 600km. Obviamente fazer esse percurso sem aproveitar o que tem de bom pelo caminho seria um sacrilégio, sendo assim, pedi ao Gemini pra traçar um roteiro de 4 dias e o resultado foi bem satisfatório 🙂

Dia 1

Saí Piracicaba e o Bramac de Paulínia por volta das 6am para nos encontrar em Tatuí. De lá, seguimos até o Canion Jaguaricatu, em Sengés. Para chegar nele tem que rodar cerca de 20km na terra. Sem chuva, a estrada de terra batida foi bem de boa, apenas com alguns poucos pontos de areia mais fofa. O cânion não tem qualquer infraestrutura de apoio, ou seja, você chega num “mirante” natural de pedras onde consegue enxergar uma boa parte do abismo, mas é só isso! Detalhe: o cânion – pelo menos na região daquele mirante – é coberto por vegetação, então não espere ver “paredões de pedra”. O trajeto de 20km rende algumas paisagens bonitas, incluindo uma cachoeira e uma represa.

Panelão (Parque Guartelá)

Já passava do meio dia quando voltamos para o asfalto, parando para almoçar no posto da Padroeira. De lá, seguimos até Tibagi, mais especificamente para o Parque do Guartelá. Infelizmente, chegamos às 16h15, o que nos impediu de fazer a trilha mais longa para ver as pinturas rupestres (o limite de horário para essa trilha é 14h30), mas deu tempo de fazer a trilha até o mirante do Cânion do Guartelá (6º maior cânion do planeta) e também conhecer os “panelões”.

O parque não cobra entrada e oferece uma estrutura adequada. Um carro te leva até metade do caminho é de lá você segue a pé por algumas centenas de metros passando pelos panelões até chegar no mirante do cânion. Se fosse mais cedo, com certeza teríamos entrado na água! A profundidade das “panelas” é de ~80cm e tem até escada em uma delas pra facilitar a vida dos aventureiros. A água cai na “panela” e corre por baixo da pedra, brotando novamente alguns metros à frente, para formar uma cachoeira.

Do parque seguimos para a cidade de Tibagi (20km). Tibagi é uma cidade pequena mas bem cuidada. Passamos a noite no hotel Itagy.

Dicas:

  • Leve repelente! Bramac descobriu na prática que é alérgico à picada de muriçoca, e lá elas são marombadas 🙂
  • Leve sempre garrafas d’água.
  • A estrada entre Castro e Tibagi é muito bonita e com várias curvas. Vale a pena ir por ela!

Dia 2

Buraco do Padre

Tomamos café da manhã e seguimos para o próximo destino: Parque Buraco do Padre, em Ponta Grossa. A maior parte do trajeto é feito em boas rodovias, mas de Ponta Grossa até o buraco é por vicinal sem terceira pista e com muitos caminhões, o que compromete o rendimento da viagem. Os últimos 9km são de terra, com alguns pontos de areia fofa que renderam algumas escorregadas (com emoção, mas sem tombos).

A entrada no parque é paga e você pode economizar um pouco comprando os ingressos antecipadamente pela internet. Alias, tudo ali é pago: a entrada, estacionamento, locker, almoço, tirolesa, fenda da freira, etc. mas pelo menos a estrutura é boa. Não deixe de comprar o ingresso para ir na Fenda da Freira. A visita ao Buraco do Padre propriamente dito está inclusa no ingresso de entrada do parque. Imagine um buraco enorme no chão por onde cai uma cachoeira para dentro de uma caverna. Você pode visitar tanto a parte de cima como a de baixo/caverna! Imperdível!

Dica:

  • Tente visitar a Fenda da Freira no horário de 11h (tem visitas a cada hora, mas são vagas limitadas), pois é quando o sol está a pino e dá pra ver a luz entrando pela fenda, causando um efeito muito bonito.
  • Tem restaurante no local, mas o preço é meio salgado e sem muitas opções.

Saímos do parque em direção a Prudentópolis. O dia seguinte foi o dia de conhecer as cachoeiras gigantes da região.

Dia 3

Prudentópolis (com cerca de 80% da população composta por ucranianos e seus descendentes) tem cachoeiras a dar com pau! Como só ficaríamos um dia ali, escolhemos as duas maiores e imperdíveis: Salto São Francisco e Salto São João.

Salto São Francisco

O Salto São Francisco fica a 56km da cidade (por terra) ou a 111km (pelo asfalto, via Guarapuava). Fomos aconselhados a ir pelo asfalto, pois a estrada de terra estava cheia de obras e desvios. Aparentemente ela será asfaltada em breve, o que vai agilizar bastante o acesso.

Saímos logo pela manhã. O percurso pelo asfalto leva cerca de 2h e a estrada entre Guarapuava e o Salto São Francisco é muito bonita, com muitas curvas! O parque tem entrada grátis e infraestrutura básica, e fica na divisa de 3 municípios: Guarapuava, Turvo e Prudentópolis.

Dica:

  • Se quiser descer até a base da cachoeira, terá que contratar um guia antecipadamente (não há guias no parque). Pega-se uma trilha de 5km pra descer e 5km pra subir, o que tomará cerca de de 5h do seu dia. Devido à nossa limitação de tempo, ficamos só no topo da cachoeira, o que já vale a viagem! São quase 200m de queda, espetacular!
  • Recomendo o hotel Prudentópolis Palace Hotel.
Salto São João

Partirmos então para a segunda cachoeira do dia: Salto de São João. Felizmente, a estrada que dá acesso à ela tinha abacado de ser asfaltada. O único “problema” é que você acaba tendo que voltar até Prudentópolis para seguir para a São João, ou seja, coloque mais umas 2h20 de estrada!

O Salto São João é menor do que o São Francisco, mas tão bonito quanto! O parque tem entrada gratuita e uma infraestrutura boa. Você caminha por uns 15 minutos por uma trilha fácil dentro de uma mata fechada, margeando o abismo até chegar no topo da cachoeira. A visão é sensacional!

Dia 4

Gruta N. S. de Lourdes

O último dia da viagem era basicamente estrada o dia todo. Pedi para a IA achar algum lugar legal pra conhecer, mas que fosse “na beira da pista”. Ela sugeriu o Parque Ecológico da Barreira, em Itararé, na divisa de Paraná com São Paulo. Foi uma grata surpresa!

A infraestrutura é básica, entrada gratuita, e você vai encontrar uma gruta por onde corre um riacho, um pontilhão de estrada de ferro bem antigo e já desativado, além de algumas outras atrações que são acessadas por trilhas.

Com certeza valeu a pena a parada!

Conclusão

Foram cerca de 1.600km e 23h em cima da moto, mas valeu cada minuto!

Como fomos no meio da semana, os lugares estavam praticamente desertos, zero muvuca! Se puder, fique mais tempo em Prudentópolis para conhecer as outras cachoeiras que tem por lá.

Destaque para a simpatia de todos os paranaenses que encontramos pelo caminho, desde os funcionários de hoteis, postos de gasolina, até o pessoal que trabalha nos parques.

Aliás, o governo poderia investir mais na infraestrutura dos parques! Tanto o Salto São Francisco como o São João poderiam ter elevadores panorâmicos para ir até a base da cachoeiras, além de pontes pênsil para cruzar a pé de um lado para o outro do cânion, passando na frente da cachoeira.

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