Quando fiz uma revista digital sobre Zakk Wylde (e acabei recebendo um presente dele!)

O ano era 1997…

Quando a internet ainda engatinhava no Brasil e muita gente acessava BBS (Bulletin Board System, espécie de comunidade online acessada por modem discado, muito antes das redes sociais existirem), resolvi criar uma edição especial da minha revista digital sobre um dos meus guitarristas preferidos: Zakk Wylde.

O que eu não imaginava é que aquele passatempo de um programador brasileiro acabaria rendendo uma entrevista exclusiva com o guitarrista de Ozzy Osbourne e, meses depois, um envelope vindo dos Estados Unidos com uma surpresa que guardo até hoje.

Mas vamos começar pelo começo…

A WarmNews

Criei a revista digital WarmNews na década de 90, quando era SysOp da WarmBoot BBS (SysOp, ou System Operator, era quem tomava conta de um BBS).

As primeiras edições eram disponibilizadas no próprio WarmBoot BBS e distribuídas pela RBT (Rede Brasileira de Teleinformática) para outros BBS da rede e talvez para o resto do mundo. O conteúdo era uma mistura de artigos técnicos, humor e entrevistas.

Por que Zakk Wylde?

Como pseudo-guitarrista-frustrado que (ainda) sou, Zakk Wylde já era um dos meus guitarristas preferidos. E com o trabalho excelente que fazia ao lado do Ozzy e como artista solo, achei que seria uma boa ideia dedicar uma edição especial da WarmNews a ele.

Naquela época, quando as notícias não se espalhavam na velocidade de hoje, Zakk já tinha um website básico. Resolvi entrar em contato por e-mail com Randy Canis, responsável pelo site, que prontamente se dispôs a ajudar com algumas informações.

Pronto! A próxima WarmNews seria dedicada ao Zakk!

Uma revista digital, ainda nos tempos do MS-DOS

Estamos falando de uma época em que os computadores “PC” com placas de som estavam se tornando mais comuns no Brasil. Apesar do Windows 95 já ter sido lançado, muita gente ainda usava o MS-DOS, por isso a revista foi escrita para DOS. A edição especial Zakk Wylde estreou uma interface totalmente gráfica (mas ainda em cima de DOS), com navegação via mouse e suporte a placas de som compatíveis com a Sound Blaster (opcionalmente).

Sou programador, não designer, então é claro que pra ter o mínimo de qualidade visual seria necessário o trabalho de alguém que entendesse do assunto. Falei com o Binho Miranda (que conheci através do BBS), mandei pra ele algumas fotos do Zakk que peguei na internet, e em cima delas ele criou as artes que foram usadas no índice e nas “páginas” da revista.

Uma entrevista exclusiva com Zakk Wylde!

Como a revista seria distribuída na internet, inclusive no site oficial do Zakk, o conteúdo foi escrito em inglês.

O texto das matérias foi escrito por mim, baseado no material (as vezes escasso) disponível na internet e em revistas, mas faltava algo melhor, mais exclusivo…

O site oficial do Zakk tinha um link para download da WarmNews

Perguntei ao Randy se eu poderia enviar algumas perguntas para o Zakk responder, para uma entrevista exclusiva para a WarmNews.

Como Zakk estava ocupado em turnê, Randy fez a entrevista com ele por telefone, e me mandou as respostas. Tudo bem que nesse meio tempo houve quase dois meses de espera, mas no fim deu tudo certo 🙂

Zakk sempre foi conhecido pelo seu bom humor nas entrevistas 🙂

Um presente inesperado

Alguns meses depois do lançamento, quando eu já achava que a história tinha terminado, recebi um envelope pelo correio, enviado pelo Randy.

Dentro havia uma foto de divulgação do Zakk autografada e com dedicatória. Como se isso já não fosse suficiente, veio também uma fotografia original, daquelas reveladas de filme, mostrando Zakk nos bastidores de um show, dando boas risadas ao lado de ninguém menos que Billy Sheehan e Eddie Van Halen!

As duas fotos estão comigo até hoje.

Olhando para trás, quase 30 anos depois, é engraçado pensar que uma revista digital feita por um programador brasileiro, usando MS-DOS e uma boa dose de entusiasmo, tenha proporcionado tudo isso.

Naquela época, eu só queria juntar duas coisas de que gostava muito: programação e guitarra. Acabei ganhando uma história para contar 😉

E a história talvez ainda não tenha terminado…

Na próxima semana vou a um show da Black Label Society, atual banda do Zakk. Quem sabe não consigo finalmente apertar a mão dele e, de quebra, um autógrafo no disquete de 1.44 MB da WarmNews que guardo há quase 30 anos? 🙂

Seria um belo jeito de fechar esse ciclo. Ou talvez começar outro!

Disquete original, gravado há 30 anos atrás contendo a WarmNews. Detalhe: ainda funciona!

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ilumilink 2.0

Planeje toda a elétrica da obra antes de quebrar a primeira parede (e agora de graça!)

O Ilumilink é um programa para planejar visualmente onde vão ficar as tomadas, os interruptores e as lâmpadas de um ambiente — e como cada coisa se liga com a outra. A versão 2.0 acaba de ser lançada e traz uma grande novidade: a licença BASIC passou a ser gratuita.

Por que escrevi esse programa

O Ilumilink não nasceu de uma ideia de negócio. Nasceu de uma necessidade minha, quando estava construindo uma casa.

Em obras anteriores já tinha esbarrado no mesmo problema: fazer o eletricista saber exatamente onde eu queria cada interruptor, cada tomada e cada lâmpada — e, principalmente, o que deveria acender o quê — era uma tarefa complicada. Rabiscos no papel, explicação no meio da obra, marcação de giz na parede: nada disso atravessa uma construção inteira sem virar mal-entendido. E esse tipo de mal-entendido geralmente só aparece quando a parede já está fechada!

Pensei em reccorrer a ferramentas profissionais, do tipo CAD, mas não fazia sentido: complexidade demais para aprender e custo demais para justificar algo que, no fundo, era um problema de comunicação — eu precisava mostrar um layout com clareza, não projetar uma usina nuclear 😀

Como não encontrei nada nesse meio-termo, acabei escrevendo. Só que eu achei que ficou tão legal que merecia ser disponibilizado para outras pessoas que estivessem sofrendo do mesmo problema.

Se você é eletricista, arquiteto, designer de interiores ou simplesmente alguém que gosta de “colocar a mão na massa”, vale os cinco minutos de leitura.


O problema: a elétrica é decidida cedo demais e no lugar errado

Todo mundo que já construiu conhece a cena:

O pedreiro pergunta onde vai a tomada da bancada. Você olha para a parede vazia, imagina a cozinha pronta e responde de cabeça. Três meses depois, com a geladeira no lugar, descobre que a tomada ficou atrás dela.

O problema é que as decisões de elétrica são tomadas na fase mais bruta da obra e desfeitas na fase mais cara. Depois que o revestimento subiu, mudar um ponto significa quebrar parede.

E as ferramentas disponíveis não ajudam:

  • Papel e caneta não mostram a lógica das ligações. Você marca um “x” na parede e torce para lembrar depois.
  • Softwares de CAD resolvem, mas exigem curso, licença cara e paciência — e a maioria das obras residenciais não justifica esse esforço.

O Ilumilink nasceu exatamente nesse meio do caminho.

Tela principal com um projeto de exemplo carregado

O que é o Ilumilink

O Ilumilink é um programa para Windows em que você carrega a imagem da planta baixa — pode ser o PDF do arquiteto exportado como imagem JPG, ou até uma foto do desenho — e vai posicionando os componentes por cima dela, arrastando com o mouse.

Não é CAD. Você não desenha paredes, não cota nada, não aprende comandos. Você posiciona e conecta.

Como funciona na prática

  1. Carregue a planta e informe a escala.
  2. Posicione as caixinhas (de interruptores e tomadas) e as lâmpadas nos lugares onde elas realmente vão ficar.
  3. Crie as ligações: clique no interruptor, clique na lâmpada. Pronto, estão ligados.
  4. Simule: clique no interruptor dentro do programa e veja a lâmpada acender e apagar na tela.
  5. Imprima ou exporte o resultado para levar para a obra.

Esse passo 4 parece um detalhe bobo, mas é o que mais convence quem testa. Você descobre que esqueceu o three-way do corredor clicando no interruptor, não com o eletricista já na obra.

Se você prefere ver a coisa em movimento a ler sobre ela, o canal do Ilumilink no YouTube tem uma série de vídeos com o programa em uso. Os mais úteis para começar:

  • Tutorial Rápido (21 min) — o passo a passo completo, do carregamento da planta ao projeto pronto. Se você for assistir só um, assista esse.
  • Escala e medição (4 min) — como calibrar a escala da planta. É o passo que permite medir distâncias direto no software e, a partir da versão 2.0, calcular a estimativa de fiação.
  • Detectar inconsistências no projeto (4 min) — a verificação automática de erros de lógica funcionando.
  • Propriedades dos objetos (7 min) — altura, voltagem, amperagem, tipo de lâmpada: onde se ajusta cada detalhe.
  • Usando a grade de alinhamento (3 min) — para o desenho sair alinhado sem esforço.

⚠️ Os vídeos acima foram gravados na versão anterior, então as novidades da 2.0 que você vai ler a seguir ainda não aparecem neles. O funcionamento básico, porém, é o mesmo.

Clicando em um interruptor acende/apaga a(s) lâmpada(s) ligada(s) à ele

O que ele faz por você

  • Vários tipos de ligação: simples, paralelo (three-way), four way e ligações virtuais.
  • Lista de materiais automática: quantas caixinhas, quantos módulos de tomada e de interruptor você precisa comprar. Sem contar no dedo.
  • Organização por cômodo: cada item pertence a um ambiente, e você enxerga tudo separado por cômodo.
  • Detecção de inconsistências: o programa procura sozinho os erros de lógica — lâmpada sem interruptor, item sem cômodo definido, tomada em altura inadequada, ligações incorretas. Corrija tudo antes de começar a cortar parede.
  • Controle de cada detalhe: posição, altura, voltagem, amperagem, tipo de lâmpada — tudo editável pela janela de propriedades ou pela árvore de itens.
  • Impressão em várias folhas: plantas grandes são fatiadas automaticamente em várias páginas, respeitando o DPI da impressora, para você montar e levar para a obra sem perder legibilidade.
Relatório mostrando algumas inconsistências encontradas no projeto

As novidades da versão 2.0

1. A licença BASIC agora é gratuita

Essa é a grande notícia. Antes, a BASIC era paga; agora é grátis, e basta um cadastro no site com nome e e-mail para receber a chave.

Com a BASIC você trabalha com projetos de até 150 caixinhas e 150 lâmpadas — o que cobre folgadamente uma casa, um apartamento ou uma loja — sem as limitações do modo de avaliação (que trava em 5 caixinhas e 5 lâmpadas). E a renovação também é gratuita: um clique no botão “Renovar grátis” dentro da tela “Sobre”, sem digitar chave de novo.

A licença PRO continua existindo para quem precisa de mais: sem limite de caixinhas e lâmpadas, exportação de relatórios em PDF, Excel, Word, HTML e imagens, e logotipo personalizado nos relatórios — útil para quem entrega o projeto para um cliente.

2. Ligações em ângulo reto, com “pulinho” nos cruzamentos

Até a 1.x, as ligações eram desenhadas como linhas retas ligando um ponto ao outro. Funciona, mas em uma planta cheia vira uma teia de aranha.

Agora existe uma opção na barra superior para escolher o traçado: linhas retas (legado) ou ortogonal — ângulo reto, no estilo de um esquema elétrico de verdade. No modo ortogonal, cada linha nasce no próprio botão do interruptor e sai pela borda mais adequada da caixinha, então fica claro de qual interruptor cada ligação parte, mesmo em caixinhas com vários módulos.

E veio junto o detalhe que faz diferença de verdade: quando uma linha cruza outra, ela passa por cima com um pequeno arco — o “pulinho” dos esquemas elétricos. À primeira vista você sabe que as duas apenas se cruzam, sem conexão entre elas. Em plantas cheias, seguir o caminho de cada ligação ficou muito mais fácil.

Exibindo ligações em linha reta x ortogonais

3. Estimativa de fiação: quantos metros de cabo comprar

Este é o recurso novo mais pedido por quem usa o programa profissionalmente. Acessado no menu Impressão, o Ilumilink calcula a metragem aproximada de cabo do projeto, separada por condutor e pela cor padrão de cada função:

  • Fase — vermelho
  • Neutro — azul-claro
  • Terra — verde/amarelo
  • Retorno — amarelo

O resultado vem dividido em ILUMINAÇÃO e TOMADAS, com subtotais independentes e um total geral por cor — que é exatamente como o cabo é comprado na loja.

O cálculo usa três parâmetros que ficam na tela de Configuração do projeto e que você ajusta conforme o seu jeito de trabalhar: pé-direito, folga por ponta e percentual de desperdício.

Um recurso que anda junto: agora dá para marcar a posição do quadro de distribuição na planta (botão direito na área da planta → “Definir quadro de distribuição aqui”). Com o quadro posicionado, a estimativa passa a incluir também a alimentação das caixas e a fiação das tomadas, assumindo alimentação em cadeia a partir do quadro.

Um aviso honesto, que o próprio relatório traz: isso é uma estimativa, não um orçamento fechado. O programa não tem como saber o trajeto exato que o eletricista vai seguir com os conduítes, e a bitola em mm² continua sendo definição do profissional. O relatório explica as premissas que usou e as limitações do cálculo — leia antes de comprar o material.

Estimativa de metragem de cabos
Tela de configurações do projeto

4. Desfazer e Refazer

Faltava, e agora tem: Ctrl+Z para desfazer e Ctrl+Y para refazer, também disponíveis no menu do botão direito.

E vale para quase tudo: criar, excluir, mover e editar itens, atribuir cômodo, girar caixinha, criar e remover ligações, definir o quadro de distribuição — e até trocar ou remover a imagem da planta. O histórico é reiniciado ao carregar ou fechar um projeto.

5. Navegar na planta ficou natural

Pequenos ajustes que mudam o dia a dia de quem trabalha com plantas grandes:

  • Zoom com Ctrl + roda do mouse agora mantém fixo o ponto que está sob o cursor, em vez de jogar a visualização para outro canto.
  • Arrastar a planta (pan) segurando o botão do meio do mouse — sem precisar das barras de rolagem.
  • Arrastar itens com zoom aplicado mantém a posição exata, sem os pequenos desvios que se acumulavam a cada movimento.
  • Excluir uma caixinha ou lâmpada pede confirmação, evitando exclusões acidentais.

6. E mais de 20 correções

A 2.0 também carrega uma lista longa de correções — várias delas em situações que podiam corromper o arquivo do projeto (nomes duplicados, nomes com ponto-e-vírgula, renumeração automática de caixinhas), além de melhorias na abertura de projetos antigos e na validação da licença. Se você usa o Ilumilink há algum tempo, essa atualização é especialmente recomendada.


Conclusão

Planejar a elétrica antes de executá-la não é luxo de projeto grande — é o que separa uma obra que fica do jeito que você imaginou de uma obra cheia de puxadinhos elétricos e extensões penduradas.

O Ilumilink foi feito para tornar esse planejamento visual, rápido e acessível a quem não é especialista, e a versão 2.0 fecha o ciclo: com a licença BASIC gratuita, o traçado em ângulo reto, a estimativa de fiação e o desfazer/refazer, não sobra muito motivo para continuar rabiscando a elétrica no verso do projeto.

Baixe e teste — é grátis

O Ilumilink roda em Windows 10 ou superior e o download é gratuito.

👉 Baixe o Ilumilink e cadastre-se para receber sua licença BASIC gratuita

📺 Quer ver funcionando antes de instalar? Os tutoriais estão no canal @ilumilink no YouTube — vale se inscrever, porque os vídeos das novidades da 2.0 vão sair por lá.

🌐 E o programa está detalhado em www.ilumilink.com.br.

Se você testar, me conte nos comentários o que achou — principalmente se for eletricista. **Feedback de quem passa o cabo na parede vale mais do que qualquer lista de recursos 🙂 **

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Great2! – código fonte e técnicas utilizadas

Em 1994 eu era o SysOp da WarmBoot BBS e cursava o último ano de Ciência da Computação. Durante muito tempo, os BBS reinaram absolutos conectando pessoas em todo o mundo, antes de serem eliminados da face da terra com a chegada da Internet para o público geral.

Além da troca de mensagens, os BBS serviam também como repositórios de arquivos, em geral sharewares, freewares, imagens, etc. Usuários discavam para o BBS para baixar/subir arquivos, trocar mensagens, etc. Havia uma tradição em que cada BBS adicionava um pequeno arquivo texto aos arquivos compactados (.arj, .zip, .lzh, etc) do acervo, indicando que ele foi baixado daquele determinado BBS, além de informações básicas como: o nome e telefone do BBS, parâmetros para conexão via modem, etc. Enfim, uma propaganda que ajudava a divulgar a existência do BBS para outras pessoas e, com sorte, captar novos usuários pagantes. Esses arquivos precisavam ser minúsculos, afinal, estamos falando de conexões discadas que variavam entre 2.400bps e 56Kbps, dependendo do seu modem e da qualidade da linha telefônica. Pra se ter ideia, um arquivo de 100KB demoraria entre 5 e 8 minutos para ser baixado em uma conexão de 2.400bps, dependendo das condições da linha!

O WarmBoot BBS era referência na distribuição de Demos de multimidia. Eramos distribuidores oficiais da Future Crew e da Twilight Zone. Sempre achei fantástico o que os demogroups faziam usando assembly, em uma época em que o clock da maioria dos PCs não passava de 40Mhz.

Decidi então fazer algo diferente da maioria dos BBS: ao invés de incluir um arquivo texto chato de “propaganda”, criei algo mais divertido e animado – uma “intro” em modo texto, o great2!. Como pode ser visto no vídeo abaixo (gravado em uma janela emulada do DOS), ao ser executado, o great2! fazia a “propaganda do BBS” quicar na tela, enquanto rolava uma música de fundo juntamente com um VU bargraph animado (no vídeo, a rolagem pode não parecer tão suave, afinal, foi gravado em um emulador de DOS que simulava inclusive a taxa de refresh de um monitor CRT).

Lembre-se, o Windows 95 nem mesmo tinha sido lançado e o Windows 3.1 era meramente uma interface gráfica tosca que rodava em cima do MS-DOS. A maioria dos programas ainda eram executados em modo texto (80 colunas x 25 linhas), nada de mouse, janelas etc! Aqueles mais abonados tinham placas de som em seus computadores (SoundBlaster era o suprassumo da época), monitores CRT (Syncmaster 3 era o que tinha de melhor) e placas “Trident” Super VGA com no máximo 1MB de RAM.

A parte mais interessante do great2! era com certeza o efeito da tela quicando. O modo texto, por padrão, tem um número limitado de colunas e linhas para se trabalhar (80 x 25). Normalmente, rolar um texto significava deslocar as linhas para cima ou para baixo, o que obviamente não causava uma rolagem “suave”, já que cada linha tinha 16 pixels de altura, ou seja, cada deslocamento significava mover o texto na tela no mínimo 16 pixels para cima ou para baixo. O “tchã” do great2! era usar recursos de programação gráfica VGA juntamente com o sincronismo do tempo de retrace vertical dos monitores para “pintar a tela” começando no momento certo e no “pixel” certo, causando um efeito de rolagem suave. O sincronismo do retrace era essencial – sem ele é como se partes da imagem parecessem “quebradas”.

Vou deixar a I.A. explicar o conceito, pois creio que ela fará isso de forma mais didática:

O “motor de rolagem” do programa não redesenha a tela: ele desenha o conteúdo uma vez na memória de vídeo VGA em modo texto e depois altera os registradores da [placa gráfica] VGA para mudar a linha inicial de exibição. Como a VGA permite deslocar a imagem por scanlines dentro das células de texto (25 linhas x 16 pixels = 400 scanlines no total), o movimento fica suave, mesmo sem usarmos um modo gráfico.

A sincronização é feita esperando o vertical retrace do monitor CRT, isto é, o breve intervalo entre um quadro e outro em que o feixe de raios catódicos volta ao topo da tela. Ao atualizar os registradores nesse momento, o código evita flicker e tearing, algo equivalente a usar VSync em gráficos modernos.

Em resumo: o efeito funciona como uma “câmera” que se move sobre uma tela já pronta, usando recursos do hardware VGA e sincronizando as mudanças com o refresh do monitor.

Também pedi pra ela fazer uma simulação animada, pra ficar ainda mais fácil de entender o que acontece:

Simulador de Hardware: Scroll Suave VGA (Modo Texto)

Lado Esquerdo: O monitor CRT real. Repare que o texto não se move na memória, a VGA apenas muda onde a tela começa.
Lado Direito: A VRAM (Memória) está fixa. O retângulo vermelho representa os Registradores da VGA mudando a cada ciclo de Retrace.

É claro que o impacto do great2! não ficava apenas no movimento suave, mas também no tamanho minúsculo do executável (5.7Kb) e na música de fundo. Para tocar a música, usei o HSC Player, disponibilizado publicamente por Hannes Seifert, da NEO Productions (uma desenvolvedora de jogos da Austrália). A música também não é de minha autoria! Peguei pronta na internet e confesso que não me lembro quem era o autor. O “anúncio”, ou seja, o texto colorido foi feito usando o The Draw, um editor de telas ANSI amplamente utilizado pelos SysOps para construir as telas de boas vindas e menus dos BBS. Telas ANSI eram a única forma de adicionar texto colorido na interface de um BBS. Lembre-se, tudo era texto/bytes sendo transmitido pela linha telefônica da forma mais crua possível. Usando ANSI conseguiamos adicionar cores aos caracteres. Em conexões lentas, dava pra ver as telas sendo desenhadas caractere por caractere – haja paciência!

Abaixo está o código fonte do great2!, incluindo meus comentários escritos em um inglês vergonhoso e cheio de erros (tinha 19 anos e havia aprendido inglês por conta própria, lendo revistas e livros americanos sobre programação). Muitas vezes recebi mensagens de pessoas que desacreditavam que um executável tão pequeno podia fazer “tanta coisa”.

O código mostra várias técnicas típicas da programação Assembly/DOS que hoje parecem bem “artesanais”, mas eram normais na época: acesso direto à memória de vídeo (B800h) em vez de APIs gráficas, escrita direta em portas de hardware da VGA (03DAh, 03D4h, 03C8h, 03C9h), sincronização manual com o retrace vertical do monitor, rotação de palheta de cores, uso de interrupções BIOS/DOS (int 10h, int 16h, int 21h), controle explícito de registradores, segmentos e pilha, além de CLI/STI para bloquear interrupções durante trechos críticos.

Também chama atenção o uso de rotinas externas para música AdLib, com callback de IRQ para desenhar VUs na tela enquanto a música toca, e a tela inicial armazenada de forma comprimida e descompactada diretamente na memória de vídeo. Para um programador moderno, é curioso porque quase tudo que hoje seria delegado ao sistema operacional, driver gráfico, engine ou biblioteca era feito “na unha”, conversando diretamente com o hardware e sincronizando o tempo visual quase quadro a quadro.

A AdLib era uma placa de som para PCs, famosa no fim dos anos 1980/início dos 1990, que gerava música por síntese FM usando o chip Yamaha OPL2. As Sound Blasters e demais placas de som que vieram depois mantiveram a compatibilidade básica com a AdLib.

As barras do VU, que simulavam um spectrum analyzer, representavam na verdade o nível de sinal de cada instrumento que estava tocando naquele momento, e dava um toque especial e um certo dinamismo na apresentação.

O great2! era compilado com o tasm – o Turbo Assembler, assembler da Borland usado principalmente em DOS para escrever e compilar programas em linguagem Assembly para processadores x86, como o 8086/286/386.

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Motocada para Prudentópolis

Mapa geral
Mapa geral da viagem

Vídeo no final do artigo

Depois de alguns anos sem fazer uma viagem longa de moto, quando a previsão do tempo mostrou uma semana sem chuva, decidimos em cima da hora ir pra Prudentópolis-PR, terra das cachoeiras gigantes, e agora também conhecida como a cidade do “vô Stanislau” 🙂

O percurso sem paradas, saindo de Piracicaba e Paulínia até Prudentópolis, dá cerca de 600km. Obviamente fazer esse percurso sem aproveitar o que tem de bom pelo caminho seria um sacrilégio, sendo assim, pedi ao Gemini pra traçar um roteiro de 4 dias e o resultado foi bem satisfatório 🙂

Dia 1

Saí Piracicaba e o Bramac de Paulínia por volta das 6am para nos encontrar em Tatuí. De lá, seguimos até o Canion Jaguaricatu, em Sengés. Para chegar nele tem que rodar cerca de 20km na terra. Sem chuva, a estrada de terra batida foi bem de boa, apenas com alguns poucos pontos de areia mais fofa. O cânion não tem qualquer infraestrutura de apoio, ou seja, você chega num “mirante” natural de pedras onde consegue enxergar uma boa parte do abismo, mas é só isso! Detalhe: o cânion – pelo menos na região daquele mirante – é coberto por vegetação, então não espere ver “paredões de pedra”. O trajeto de 20km rende algumas paisagens bonitas, incluindo uma cachoeira e uma represa.

Panelão (Parque Guartelá)

Já passava do meio dia quando voltamos para o asfalto, parando para almoçar no posto da Padroeira. De lá, seguimos até Tibagi, mais especificamente para o Parque do Guartelá. Infelizmente, chegamos às 16h15, o que nos impediu de fazer a trilha mais longa para ver as pinturas rupestres (o limite de horário para essa trilha é 14h30), mas deu tempo de fazer a trilha até o mirante do Cânion do Guartelá (6º maior cânion do planeta) e também conhecer os “panelões”.

O parque não cobra entrada e oferece uma estrutura adequada. Um carro te leva até metade do caminho é de lá você segue a pé por algumas centenas de metros passando pelos panelões até chegar no mirante do cânion. Se fosse mais cedo, com certeza teríamos entrado na água! A profundidade das “panelas” é de ~80cm e tem até escada em uma delas pra facilitar a vida dos aventureiros. A água cai na “panela” e corre por baixo da pedra, brotando novamente alguns metros à frente, para formar uma cachoeira.

Do parque seguimos para a cidade de Tibagi (20km). Tibagi é uma cidade pequena mas bem cuidada. Passamos a noite no hotel Itagy.

Dicas:

  • Leve repelente! Bramac descobriu na prática que é alérgico à picada de muriçoca, e lá elas são marombadas 🙂
  • Leve sempre garrafas d’água.
  • A estrada entre Castro e Tibagi é muito bonita e com várias curvas. Vale a pena ir por ela!

Dia 2

Buraco do Padre

Tomamos café da manhã e seguimos para o próximo destino: Parque Buraco do Padre, em Ponta Grossa. A maior parte do trajeto é feito em boas rodovias, mas de Ponta Grossa até o buraco é por vicinal sem terceira pista e com muitos caminhões, o que compromete o rendimento da viagem. Os últimos 9km são de terra, com alguns pontos de areia fofa que renderam algumas escorregadas (com emoção, mas sem tombos).

A entrada no parque é paga e você pode economizar um pouco comprando os ingressos antecipadamente pela internet. Alias, tudo ali é pago: a entrada, estacionamento, locker, almoço, tirolesa, fenda da freira, etc. mas pelo menos a estrutura é boa. Não deixe de comprar o ingresso para ir na Fenda da Freira. A visita ao Buraco do Padre propriamente dito está inclusa no ingresso de entrada do parque. Imagine um buraco enorme no chão por onde cai uma cachoeira para dentro de uma caverna. Você pode visitar tanto a parte de cima como a de baixo/caverna! Imperdível!

Dica:

  • Tente visitar a Fenda da Freira no horário de 11h (tem visitas a cada hora, mas são vagas limitadas), pois é quando o sol está a pino e dá pra ver a luz entrando pela fenda, causando um efeito muito bonito.
  • Tem restaurante no local, mas o preço é meio salgado e sem muitas opções.

Saímos do parque em direção a Prudentópolis. O dia seguinte foi o dia de conhecer as cachoeiras gigantes da região.

Dia 3

Prudentópolis (com cerca de 80% da população composta por ucranianos e seus descendentes) tem cachoeiras a dar com pau! Como só ficaríamos um dia ali, escolhemos as duas maiores e imperdíveis: Salto São Francisco e Salto São João.

Salto São Francisco

O Salto São Francisco fica a 56km da cidade (por terra) ou a 111km (pelo asfalto, via Guarapuava). Fomos aconselhados a ir pelo asfalto, pois a estrada de terra estava cheia de obras e desvios. Aparentemente ela será asfaltada em breve, o que vai agilizar bastante o acesso.

Saímos logo pela manhã. O percurso pelo asfalto leva cerca de 2h e a estrada entre Guarapuava e o Salto São Francisco é muito bonita, com muitas curvas! O parque tem entrada grátis e infraestrutura básica, e fica na divisa de 3 municípios: Guarapuava, Turvo e Prudentópolis.

Dica:

  • Se quiser descer até a base da cachoeira, terá que contratar um guia antecipadamente (não há guias no parque). Pega-se uma trilha de 5km pra descer e 5km pra subir, o que tomará cerca de de 5h do seu dia. Devido à nossa limitação de tempo, ficamos só no topo da cachoeira, o que já vale a viagem! São quase 200m de queda, espetacular!
  • Recomendo o hotel Prudentópolis Palace Hotel.
Salto São João

Partirmos então para a segunda cachoeira do dia: Salto de São João. Felizmente, a estrada que dá acesso à ela tinha abacado de ser asfaltada. O único “problema” é que você acaba tendo que voltar até Prudentópolis para seguir para a São João, ou seja, coloque mais umas 2h20 de estrada!

O Salto São João é menor do que o São Francisco, mas tão bonito quanto! O parque tem entrada gratuita e uma infraestrutura boa. Você caminha por uns 15 minutos por uma trilha fácil dentro de uma mata fechada, margeando o abismo até chegar no topo da cachoeira. A visão é sensacional!

Dia 4

Gruta N. S. de Lourdes

O último dia da viagem era basicamente estrada o dia todo. Pedi para a IA achar algum lugar legal pra conhecer, mas que fosse “na beira da pista”. Ela sugeriu o Parque Ecológico da Barreira, em Itararé, na divisa de Paraná com São Paulo. Foi uma grata surpresa!

A infraestrutura é básica, entrada gratuita, e você vai encontrar uma gruta por onde corre um riacho, um pontilhão de estrada de ferro bem antigo e já desativado, além de algumas outras atrações que são acessadas por trilhas.

Com certeza valeu a pena a parada!

Conclusão

Foram cerca de 1.600km e 23h em cima da moto, mas valeu cada minuto!

Como fomos no meio da semana, os lugares estavam praticamente desertos, zero muvuca! Se puder, fique mais tempo em Prudentópolis para conhecer as outras cachoeiras que tem por lá.

Destaque para a simpatia de todos os paranaenses que encontramos pelo caminho, desde os funcionários de hoteis, postos de gasolina, até o pessoal que trabalha nos parques.

Aliás, o governo poderia investir mais na infraestrutura dos parques! Tanto o Salto São Francisco como o São João poderiam ter elevadores panorâmicos para ir até a base da cachoeiras, além de pontes pênsil para cruzar a pé de um lado para o outro do cânion, passando na frente da cachoeira.

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Sensor Smart 2.0

Foi lançado oficialmente no mercado brasileiro o sensor de glicose Smart 2.0, que será importado e distribuído pela MedLevensohn, e o que posso dizer é que: dos sensores que já usei, ele é o melhor até agora! Mas como sei disso se ainda não está disponível comercialmente no mercado brasileiro? [novembro/25]

O fato é que esse sensor (fabricado na China, pela Microtech MD) é vendido fora do Brasil há algum tempo com outros nomes, em especial LinX e Aidex X, sendo esse último oferecido somente na China. Estou usando o LinX há vários meses, comprando no AliExpress, e tem sido excelente! Além de ser o menor sensor disponível e com duração de 15 dias, a acuracidade, na minha experiência, tem sido ótima! Outro ponto positivo: todos os sensores funcionaram até o fim!

Para completar, é o único sensor (ao menos que eu saiba) que já vem calibrado de fábrica mas que oferece a possibilidade de calibrar manualmente no próprio aplicativo, se necessário! Com os sensores de outras marcas, especialmente após o 10º dia de uso, minhas medições ficavam muito abaixo da real, o que muitas vezes significava uma falsa hipoglicemia! Com o LinX/Smart 2.0, se isso acontecer, é possível calibrar a medição e resolver o problema! Precisei fazer isso algumas vezes, em outras o sensor funcionou os 15 dias com boa precisão, sem necessidade de qualquer calibragem!

Smart 2.0 é outro produto!

Não acho que foi uma boa ideia lançarem o LinX no Brasil com o nome Smart 2.0, o que acaba criando um “vínculo” com o sensor Smart que já é vendido no Brasil há um bom tempo, e que tem muitos reviews negativos. Algumas pessoas podem torcer o nariz mesmo antes de testar o Smart 2.0 só pelo fato de haver uma suposta relação entre os dois. Acredite, são sensores totalmente diferentes, a começar pelo fato de que o Smart 2.0 não precisa de transmissor separado.

Conclusão

Dê uma chance ao Smart 2.0/LinX e teste você mesmo! No meu caso, foi uma mudança excelente na experiência que vinha tendo com outros sensores, conforme vocês podem ler nos diversos posts que fiz nesse mesmo blog. A previsão é que o Smart 2.0 esteja disponível oficialmente para compra no mercado nacional a partir de dezembro/25.

Enfim, é ótimo ver que mais sensores de diferentes fabricantes estão chegando no Brasil, permitindo que cada um escolha aquele que lhe serve melhor.

Uma pena a Anvisa levar tanto tempo para liberar o registro deles, mesmo quando o mesmo sensor já tem aprovação no na CE ou em outros orgãos internacionais similares. A culpa, pelo que dizem, é a falta de recursos humanos frente a quantidade de pedidos de registro a serem analisados, ou seja, Brasil sendo Brasil 🙁

Uma pena também estar havendo uma certa “colusão” nos preços entre os fabricantes. Seria ótimo se alguns deles chegassem com preços realmente mais baixos, forçando os outros fabricantes a baixarem os preços, fazendo com que mais pessoas tivessem acesso à essa tecnologia.

Leia meu review anterior sobre o LinX.

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30 anos de Delphi

Dia 14/02/2025 o Delphi completa 30 anos de existência! Nessas 3 décadas, passou por altos e baixos em sua trajetória, mas o fato é que ele está mais vivo do que nunca, e continua sendo a melhor ferramenta de programação RAD disponível no mercado!

Para os “velhos” (me incluo nessa) que tiveram a sorte de viver o começo da “era da informática” e experimentar a programação desde sua forma mais crua até as linguagens de alto nível, o Delphi marcou uma revolução na programação para Windows que, arrisco dizer, até hoje não foi superada!

Contextualizando

Comecei a programar com 11 anos de idade, na época, usando um clone do Apple II com 48K de RAM e 1Mhz de CPU. Ele já vinha com o AppleSoft basic nativo e, obviamente, podia-se recorrer ao Assembler do 6502 para algo que exigisse mais performance. Espetando-se uma placa CP/M tornava possível executar o dBase II e criar aplicações acessando bases de dados DBF. Depois, migrei para os clones dos IBM PCs (um AT 286). Nessa época, todos os cursos de computação ensinavam Lotus 123 e dBase III+ e/ou Clipper. Esse era o caminho padrão para praticamente todos os desenvolvedores no Brasil. Perceberam que todos esses softwares rodavam em D.O.S.? Pois é! O Windows 3.1 nem tinha sido lançado!

Foi uma fase no mínimo interessante e única, onde MicroSoft e IBM “brigavam” pelo próximo sistema operacional de sucesso. De um lado o IBM OS/2 (que por sinal, também rodava aplicações do Windows 3.1) e do outro a Microsoft com o Windows! Hoje todos sabemos quem ganhou a briga.

Com o rápido aumento de popularidade do Windows, a demanda por softwares GUI cresceu em um ritmo acelerado. No entanto, as linguagens de programação e IDEs disponíveis na época, além de escassas, eram pouco produtivas. Havia o Microsoft Visual C++, QuickBasic, Visual Basic, além de algumas “bizarrices” no mercado, como o FiveWin (conhecido também por Clipper para o Windows). A própria Borland chegou a lançar um Turbo Pascal para Windows, que gerava aplicações GUI. Nessa época, na maioria das vezes, programar para Windows era basicamente escrever código bruto chamando diretamente as funções da API do Windows.

Felizmente, em 1.995 a tortura acabou!

Delphi 1.0 [1.995]

O Delphi 1.0 foi lançado e chegou oferecendo uma forma de desenvolver aplicações GUI nativas para Windows muito rapidamente e, melhor ainda, de forma visual e usando o velho e bom Pascal como linguagem de programação! Para fechar o pacote com chave de ouro, trouxe também conexão com os principais bancos de dados, além da VCL (Visual Component Library) – uma biblioteca de componentes visuais que facilitava extremamente a vida do desenvolvedor.

Comprei meu Delphi 1 na (falecida) FenaSoft, se não me engano por R$ 50! Me lembro de ter enfrentado fila para comprar!

Não demorou e o Delphi se tornou uma das principais ferramentas de desenvolvimento para Windows no Brasil. As universidades que ofereciam cursos de computação adotaram o Delphi rapidamente, fazendo com que praticamente todos os estudantes daquela época tivessem contato com a IDE, gerando um efeito positivo onde os recém-formados já saíam da faculdade conhecendo o básico, ajudando a suprir uma demanda crescente das milhares de Software Houses que também o adotaram como principal ferramenta de desenvolvimento dos seus softwares.

Com o lançamento do Delphi 1, comecei a migrar meus sistemas do Clipper 5 para o Delphi. A produtividade era absurda! Nessa época, havia muita discussão nos grupos de programadores em relação a qual era o melhor: VB ou Delphi? Posso citar algumas das vantagens:

  • Código mais eficiente/rápido e nativo (sem necessidade do uso de interpretadores/runtimes).
  • Imensa quantidade de componentes visuais – fora a VCL, havia milhares de componentes de terceiros que podiam ser integrados na IDE, para todos os fins e gostos.
  • Melhor suporte à bancos de dados.
  • Object Pascal – linguagem estruturada e orientada a objetos.

Começava a época de ouro do Delphi! Havia uma infinidade de livros no mercado, inclusive em português, além de revistas especializadas (ClubeDelphi, ActiveDelphi, The Club etc), refletindo a forte demanda por informação de qualidade.

Abrindo um parentesis: foi através do Delphi que conheci um tal de InterBase, meu primeiro contato com um banco de dados relacional. Que felicidade! Chega de bases corrompidas e reindexações diárias. E tudo ficou ainda melhor depois de alguns anos, com a chegada do Firebird.

Em 1.996, ou seja, um ano após o lançamento da primeira versão, o Delphi 2 foi lançado, trazendo compilação nativa para 32 bits e possibilidade de desenvolver em 3 camadas para banco de dados, entre outras novidades.

Nogueira, David I e eu, na BorCon 2002

O Delphi era tão forte no Brasil, que a Borland resolveu fazer uma edição local (em português) da sua tradicional conferência: a BorCon! E foi durante uma das BorCons que me encontrei pessoalmente com o Emerson Facunte, iniciando um movimento que culminou com a criação do DUG-BR.

Durante as 3 décadas, o Delphi mudou de mãos algumas vezes, e viveu uma fase complicada (pra dizer o mínimo) nas mãos da Inprise/CodeGear, até finalmente ser comprado pela Embarcadero, que trouxe a ferramenta de volta aos trilhos.

Pedi para as IAs listarem todas as versões do Delphi e seus anos de lançamento, além das principais novidades de cada versão:

Primeiras Versões (Borland):

  • Delphi 1 (1995): A versão inaugural, que revolucionou o mercado com sua interface visual e RAD (Rapid Application Development). Introduziu a linguagem Object Pascal e o framework VCL (Visual Component Library).
  • Delphi 2 (1996): Trouxe suporte para desenvolvimento de aplicações de 32 bits, aprimorando o desempenho e a capacidade dos programas.
  • Delphi 3 (1997): Novos componentes VCL (incluindo Decision Cube e TeeChart), suporte a Active Forms.
  • Delphi 4 (1998): Melhorias na linguagem, IDE (Integrated Development Environment) e VCL, Code Insight, além de suporte para novas tecnologias como COM (Component Object Model).
  • Delphi 5 (1999): Introduziu o suporte para bancos de dados ADO (ActiveX Data Objects) e aprimorou a integração com a Web.
  • Delphi 6 (2001): Trouxe o suporte para desenvolvimento de aplicações Web com IntraWeb e a tecnologia SOAP (Simple Object Access Protocol).
  • Delphi 7 (2002): Uma das versões mais populares, com foco em estabilidade e desempenho, além de melhorias na IDE e na linguagem. Suporte aprimorado a Windows XP (Temas e Estilos).

Transição e Novas Versões (Borland/CodeGear/Embarcadero):

  • Delphi 8 (2003): Versão focada no desenvolvimento para a plataforma .NET, utilizando a linguagem Delphi para criar aplicações gerenciadas.
  • Delphi 2005 (2004): Retorno ao desenvolvimento de aplicações nativas Win32, com melhorias na IDE e na linguagem.
  • Delphi 2006 (2005): Uniu o desenvolvimento para Win32 e .NET em um único ambiente, oferecendo flexibilidade aos desenvolvedores. Incluía Delphi (Win32/.NET), C++Builder e C# em uma única IDE
  • Delphi 2007 (2007): Melhorias na VCL e na IDE, além de suporte para AJAX (Asynchronous JavaScript and XML) para aplicações Web. Focado em Win32.
  • Delphi 2009 (2008): Introduziu recursos como generics e anonymous methods, aprimorando a linguagem e a produtividade.
  • Delphi 2010 (2009): Foco no desenvolvimento para Windows 7 e na criação de aplicações com interfaces mais modernas. Suporte a touch e gestos.
  • Delphi XE (2010): Integração com subversion na IDE, ferramentas de auditoria e métricas de código.
  • Delphi XE2 (2011): Introduziu o FireMonkey, permitindo a criação de aplicações nativas para diversas plataformas. Compilador 64 bits para Windows.
  • Delphi XE3 (2012): Aprimorou o FireMonkey e trouxe novidades para o desenvolvimento de aplicações móveis.
  • Delphi XE4, XE5, XE6, XE7 e XE8 (2013-2015): Continuaram a expandir o suporte multiplataforma e aprimorar a linguagem e a IDE.
  • Delphi 10 Seattle, 10.1 Berlin, 10.2 Tokyo, 10.3 Rio e 10.4 Sydney: Versões que trouxeram melhorias contínuas, suporte para novas tecnologias e foco na produtividade dos desenvolvedores.
  • Delphi 11 Alexandria e 12 Athens (2015…): As versões mais recentes, com foco em desenvolvimento multiplataforma, melhorias na IDE e na linguagem, além de suporte para as últimas tecnologias do mercado.

DUG-BR (Delphi Users Group Brasil)

Lançamento oficial do DUG-BR na Saraiva (Marcos, Akira, Facunte, Marcelo, Cantu e Nogueira)

Em 29 de março de 2.003, na Livraria Saraiva em São Paulo, durante o lançamento do livro “Delphi 7 Internet & Banco de Dados” do Emerson Facunte, o DUG-BR foi finalmente anunciado publicamente.

A ideia de montar o grupo veio do próprio Facunte, reunindo pessoas chave da comunidade Delphi da época. O grupo era composto por:

  • Emerson Facunte (Saraiva)
  • Carlos H. Cantu (site FireBase)
  • Marcelo Nogueira (CTA)
  • Marcos Gomes (site Delphi-BR)
  • Sidnei Akira Egashira (site Delphi-BR)
  • Eduardo Rocha (site EduDelphiPage)
  • Marcelo Ribeiro (site Active Delphi)
  • Celso Paganelli (revista The Club – só no início)
  • Gladstone Matos (revista Clube Delphi – só no início)
Edu, Nogueira, Marcos, Facunte, Cantu, Marcelo, Akira e Daniel

A missão do DUG era clara: levar conhecimento sobre Delphi para todos, através de eventos com diversas palestras, os quais batizamos de DDD (Delphi Developers Day). Além de fazer total sentido “semanticamente falando”, a abreviação DDD já era amplamente conhecida por todos os brasileiros, pois era como chamavamos as ligações telefônicas entre cidades (Discagem Direta à Distância). Durante vários anos, fui o presidente do DUG-BR, cargo passado posteriormente para o Marcelo Nogueira.

O primeiro DDD foi realizado em Piracicaba-SP, na Escola de Engenharia de Piracicaba (EEP), em 4 de outubro de 2.003. Mesmo sendo estreantes como organizadores de eventos, ele de cara já foi um sucesso, com mais de 200 pessoas presentes! Os temas das palestras foram: Rave Report, Stored Procedures no IB e FB, Aplicações para internet no Delphi 7 e Desenvolvimento RAD Para Linux.

Vista parcial do público no 1º DDD

Desde o início, adotamos a premissa de que a inscrição para nossos eventos seria a mais barata possível, cobrando basicamente o suficiente para cobrir os custos com aluguel de equipamentos, translados, coffee-break etc. Em suma, o objetivo era não deixar que o fator financeiro fosse um empecilho para a participação de alguém! A inscrição para o primeiro FDD custava R$ 12,00 (sim, você leu certo: doze reais! inacreditável, não?!).

Ao todo, foram realizados 10 DDDs em diversas cidades, entre elas Piracicaba, Bauru, Sorocaba, São Paulo e Uberlândia, até o grupo se dissolver. No final desse artigo você encontra a reprodução do report original do 1º DDD.

Presente e futuro – o que esperar?

Torço para que o Delphi continue evoluindo sem perder sua essencia RAD e ganhando cada vez mais qualidade, e que a Embarcadero/Idera continue investindo e acreditando em seu potencial, e se esforce para trazê-lo de volta às universidades, de onde jamais deveria ter saído!

Durante os 30 anos que faço uso do Delphi, nunca tive que recorrer a outra ferramenta de programação para desenvolver softwares desktop para Windows, dos mais variados tipos. Ele evoluiu, acompanhou e deu suporte às inovações e padrões de mercado que surgiram durante essas três décadas, sem praticamente perder compatibilidade com o código legado e sem deixar de ser a ferramenta RAD que tanto gostamos! Isso não é pouca coisa!

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