O assalto

– Alô? Quem tá falando?

– Aqui é o ladrão.

– Desculpe, a telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?

– Não, os funcionário tá tudo refém.

– Há, eu entendo. Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil… Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?

– Impossível. Eles tá tudo amordaçado.

– Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?

– Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar assalto!

– Bom… Sabe o que é? Eu tenho uma conta…

– Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!

– Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.