SP para Serra do Rio do Rastro 2016

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Qualquer motociclista que se preze já ouviu falar da Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, com 284 curvas, algumas chegando a 180º. Há tempos estava planejando essa viagem, e finalmente a “conjunção dos astros” permitiu que eu e mais três amigos (Bramac, Hertz e Rubão) sincronizássemos as agendas e partíssemos para lá, no dia 22/Setembro/2016!

Dia 1

Dia 1

Primeiro dia (emoção off-road)

A ideia era fazer a viagem completa em 4 dias, saindo de Piracicaba (eles de Paulínia e Campinas, nos encontrando em Tatuí), sendo a primeira parada para pernoite em Curitiba. O caminho escolhido foi pelo Rastro da Serpente, que liga Capão Bonito à Apiaí. Essa foi a primeira surpresa da viagem. Asfalto e rodovias excelentes até Capão Bonito, mas bastou entrar no Rastro da Serpente para o trajeto passar de uma viagem “estradeira” para um circuito off-road! A estrada está cheia de obras, com diversos pontos onde não se sabe mais o que é asfalto e o que é terra. Pra piorar, diversos pontos estão com meia-pista, o famoso esquema “pare-siga”, obrigando você a esperar sua vez, perdendo um precioso tempo de viagem.

Pare-Siga

Pare-Siga

Final do Rastro

Final do Rastro (Hertz, eu, Bramac e Rubão)

Estávamos em quatro motos, sendo duas Harleys, uma BMW GS1200 e uma Triumph Tiger 800. Não preciso dizer que as Harleys foram as que mais sofreram nesse trajeto. Honestamente, eu não aconselho fazer o Rastro da Serpente enquanto as obras não forem finalizadas! Além de mais perigoso e estressante, o trajeto acaba levando muito mais tempo do que o previsto! Saímos as 7h30 e chegamos em Curitiba as 18h!

Riders Pub

Riders Pub

Nos hospedamos no Che Lagarto Hostel. Jantamos no shopping que ficava ao lado do CLH e depois passamos em um bar temático de motocicletas, para tomar uma cerveja artesanal (circuito feito a pé, pois os locais são próximos). Programamos com um amigo local de, na volta, ir em algum bar de rock com som ao vivo.

Dia 2 (parte 1)

Dia 2 (parte 1)

Segundo dia (trajeto bucólico)

SRR Pomerode

Pomerode

Tomamos café as 7am, e partimos para Urubici, onde iríamos pernoitar. O planejamento inicial seria chegar a tempo de fazer a Serra do Rio do Rastro também a noite. O caminho escolhido foi dica da Elisabete Bach, descrito por ela mesmo como um roteiro mais “bucólico” do que simplesmente pegar a BR 101, e realmente não deixou a desejar! Passamos por estradas e serras muito bonitas, com bom asfalto e pouco movimento! Paramos em Jaraguá do Sul para abastecer e comer alguma coisa, seguindo para Blumenau, parando para conhecer a Vila Germânica (onde é realizado o Oktoberfest) e aproveitando para almoçar. Seguindo o caminho, passamos pelo Vale Europeu, com parada em Pomerode, para dar uma olhada na fábrica recém inaugurada da cervejaria Schornstein.

Dia 2 (parte 2)

Dia 2 (parte 2)

Vila Germânica

Vila Germânica

De Pomerode, partimos para o destino final do dia, Urubici, passando por Camboriú, Florianópolis, São José, e subindo a Serra Catarinense. O trânsito estava bem pesado até São José! Infelizmente, a noite caiu e acabamos subindo a serra já sem luz do sol, portanto, não pudemos apreciar a paisagem… uma pena!

Pousada Pica-Pau

Pousada Pica-Pau

Chegamos em Urubici as 21h, e fomos recepcionados pelo Wesclei, dono da Pousada Pica-Pau. Fica a dica para quem quiser uma excelente opção de hospedagem em Urubici, com um atendimento impecável! Comemos pinhão torrado na hora no fogão a lenha, enquanto aguardávamos as pizzas recém-encomendadas. Uma das Harleys estava morrendo ao desacelerar. Depois de consultar nosso “suporte técnico” Alex (Bros Bikers), que nos deu algumas orientações sobre o que fazer, fomos dormir.

Dia 3 (parte 1)

Dia 3 (parte 1)

Terceiro dia (a serra e o coxo)

Tomamos café as 8am, abastecemos, e partimos para o Morro da Igreja. Essa é uma parada obrigatória para qualquer viajante que está na região! A vista é simplesmente magnífica! As nuvens estavam baixas, e tínhamos a impressão de estar “no céu”, olhando as nuvens por cima.

Morro da Igreja

Morro da Igreja

Saindo do Morro da Igreja, partimos para o Mirante da Serra do Rio do Rastro (passando novamente por Urubici). O trajeto é muito bonito, a maior parte com asfalto bom e vistas lindas, com muito verde e cheias de araucárias. Entrando na SC-390, o asfalto piorou absurdamente, mas nem chegou perto da “ruindade” do Rastro da Serpente.

Dia 3 (parte 2)

Dia 3 (parte 2)

Chegando no Mirante, a vista deslumbrante acima das nuvens impressionou ao mesmo tempo que decepcionou, pois escondeu as famosas curvas e nos impediu de apreciar a paisagem montanhosa enquanto descíamos a serra.

No Mirante, tivemos a visita de alguns Quatis, que ficam passeando livres e calmamente pelo local, à procura de comida fácil.

Mirante da SRR

Mirante da SRR

Descemos a serra cruzando as nuvens que havíamos avistado do Mirante. A umidade estava alta, chegando a condensar e molhar o capacete. No final, olhando para trás, para o sentido do qual viemos, não se via nada além de nuvens carregadas.

SRR Quati

Quati

Paramos para abastecer e tocar para Curitiba. Surpresa! O Waze estimava mais de 6 horas de viagem! E já era praticamente 16h da tarde! Tocamos para Curitiba, pela BR 101, pegando serração e chuva. Chegamos no Slaviero Hotel por volta das 23h, com frio e ensopados (quando começou a chover, não havia postos nem viadutos próximos onde poderíamos nos abrigar para vestir as capas de chuva)! Mas nada é tão ruim que não pode piorar. Um dos amigos tomou um “capote” ao descer da moto. Ao chegar na recepção do hotel, fomos informados que as reservas (feitas pela booking.com) não tinham sido efetivadas por culpa de uma funcionária do hotel. No fim, após alguns aborrecimentos, conseguimos entrar nos quartos (que sofreram um upgrade). Nem preciso dizer que a programação prevista de ir à algum bar foi por água abaixo.

Bramac descobriu que tinha perdido da chave do baú Givi que estava com todas as mudas de roupa! A chave reserva tinha ficado em Paulínia. O seguro não quis mandar o chaveiro, pois o problema era no baú, e não na moto (uh?! Sacanagem hein?!). Ele então acabou chamando um chaveiro 24hs, que não conseguiu abrir o baú! Ou seja, teve que se virar secando e usando a roupa que já estava usando. Ainda bem que já estávamos no penúltimo dia.

No total, rodamos nesse dia quase 700km! PQP!

Dia 4

Dia 4

Quarto dia (o retorno)

Acordamos as 7am, tomamos café, e partimos de volta pra casa. Felizmente, o trajeto de retorno não seria pelo Rastro da Serpente, mas sim pela BR-116 (Regis Bittencourt). Cerca de 30km saindo de Curitiba, paramos na famosa Estrada da Graciosa. Infelizmente, tempo fechado e muita serração, mas que não impediu de descermos a serra, que tem grande parte do seu trajeto feito de paralelepípedos. A estrada é linda e pitoresca, com muito verde e a mata atlântica margeando a pista continuamente, e diversos mirantes onde você pode parar para contemplar a natureza e comer/beber alguma coisa.

Entrada Serra da Graciosa

Entrada Serra da Graciosa

Voltamos para a Regis e continuamos o caminho de volta. Ao chegar próximo da Serra do Cachimbo, a rodovia tinha muitas obras, infinitos caminhões e, já próximo do Rodoanel Mário Covas, havia um acidente que só não nos parou completamente porque as motos passam pelos corredores!

O cansaço quer tomar conta, mas a saudade da família faz você continuar. Cheguei em casa as 20h, com o sentimento de desafio cumprido e a impressão de que não foi a última vez que visitarei aquela região!

Considerações e dicas:

  • Evite (mesmo!) fazer o Rastro da Serpente enquanto as obras não terminarem, a não ser que você esteja a fim de encarar um ambiente “off-road”.
  • Não se engane com o tempo que leva pra fazer os trajetos! A média de velocidade geral da viagem foi de 70km/h, ou seja, você vai demorar muito mais tempo do que está acostumado usando uma boa rodovia.
  • O clima na Serra do Rio do Rastro será sempre uma incógnita. Está bom em um dia, e ruim no outro. Se tiver uma agenda flexível, programe-se para ficar nos arredores da Serra por mais de um dia, assim se o tempo estiver ruim, ainda há chance de pegar ele limpo no dia seguinte. Consultar o site do mirante com cameras online pode ajudar.
  • É um absurdo a cobrança de pedágios para motos! A estrutura das praças de pedágios existente não foi feita para isso, e não sofreu qualquer adaptação para facilitar a vida do motociclista. Pelo contrário! Somos obrigados a usar as mesmas cabines dos carros e caminhões, que frequentemente tem o asfalto cheio de óleo!
  • Não dependa só do Waze, pois, com certeza, em algum momento ele ficará offline por falta de rede celular. Leve um aplicativo de GPS off-line, como o Here Maps, ou mesmo o Google Maps, lembrando de baixar os mapas antes.
  • Pousadas podem ser melhores que hotéis, vide a experiência com a Pica-Pau!
  • Apesar de ter moto há muitos e muitos anos, essa foi a primeira viagem verdadeiramente longa que fiz sobre duas rodas. Mesmo com todos os obstáculos, dores na coluna, braço, frio, chuva, etc,  o sentimento de liberdade proporcionado pelas duas rodas é insuperável.
Espírito Macgyver

É na hora do aperto que a criatividade aparece, kkkkk. Pegamos uma chuva brava chegando em Curitiba, que ensopou as roupas e obviamente os tênis. O que fazer?

O método do microondas não deu certo (eu avisei que não ia rolar, kkkk), então Bramac foi mais criativo e usou os abajures:

Eu enchi os tênis de papel higiênico, que puxaram boa parte da umidade durante a noite. Depois, enrolei a própria corda do secador de cabelo de forma que o interruptor ficasse pressionado, coloquei no mínimo, e deixei uns 10 minutos baforando em cada tênis, e funcionou 100%!

Secando o Tênis

Secando o Tênis

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Galeria de Fotos

Saindo de Tatuí

Vida longa e próspera! Up the Irons!